“Jovens israelenses recusam servir ao Exército e explicam por quê”. Este é o evento que será realizado no Auditório Vladimir Herzog do SJSP nesta próxima quinta-feira, 12 de março, das 15h às 17h, com a participação online de Yuval Peleg, de 18 anos, e Yona Roseman, de 19 anos, ativistas do coletivo Messarvot, que reúne jovens refuseniks, que se recusam a prestar o serviço militar em Israel.
O Messarvot opõe-se ao genocídio em Gaza, aos crimes de guerra praticados pelo Exército de Israel e à ocupação ilegal dos Territórios Palestinos Ocupados (Cisjordânia e Jerusalém). Ao todo, 17 jovens israelenses foram presos desde o início da guerra (após 7 de outubro de 2023) por se recusarem publicamente a prestar o serviço militar obrigatório.
Também participará da atividade desta quinta-feira no SJSP, porém de forma presencial, Nathaniel Braia, jornalista e vice-presidente do Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo (Sindeesp). Judeu, Braia viveu em Israel dos 18 aos 25 anos de idade. Na década de 1970, ele foi um dos primeiros israelenses a ser detido por se negar a servir ao Exército de Israel.
Além de Messarvot, SJSP, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sindicato dos Escritores e CUT, o evento tem o apoio do grupo Vozes Judaicas por Libertação, do Museu da Igualdade, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Confederação Palestina Latinoamericana e do Caribe (Coplac).
Quem é Yona Roseman
Em julho de 2025, algumas dezenas de jovens ativistas judeus-israelenses marcharam pelas ruas de Tel Aviv para protestar contra o genocídio em curso em Gaza. A manifestação terminou na Praça Habima, no centro da cidade, onde dez participantes que haviam recebido notificações de convocação para o serviço militar, entre os quais a jovem Yona Roseman, atearam fogo nelas e declararam publicamente sua recusa a se alistar.

O ato provocou indignação nas redes sociais israelenses, desencadeando uma onda de mensagens privadas — algumas de apoio, outras hostis — juntamente com apelos à incitação ao ódio por parte de páginas de extrema-direita. “As pessoas me procuravam todos os dias depois que queimamos os cartazes”, disse Yona, em entrevista ao +972 Magazine. “Não sei se isso por si só pode trazer mudanças, mas mesmo um soldado a menos participando do genocídio já é um passo positivo”.
Em agosto de 2025, Yona participou de nova manifestação, desta vez em Haifa. “O Estado de Israel está cometendo genocídio e devemos resistir”, disse ela bravamente, megafone em punho. A polícia israelense reprimiu o protesto e dez ativistas, Yona entre eles, foram presos com a violência habitual das forças de segurança de Israel. “Por ser transgênero, Yona já foi brutalizada por policiais que a insultam, apesar de Israel se declarar um refúgio seguro para pessoas LGBTQIA+”.
De acordo com Messarvot, a ação da polícia em Haifa resultou no maior número de ativistas seus presos simultaneamente desde que o grupo começou a operar em 2016. Suas sentenças iniciais variaram de 20 a 45 dias.
Quem é Yuval Peleg
No dia 6 de janeiro de 2026, Yuval Peleg foi dispensado do serviço militar e libertado da prisão militar, após ter cumprido cinco penas distintas por se recusar a alistar-se no exército israelense.
Yuval Peleg recusou inicialmente o serviço militar obrigatório em 21 de julho de 2025, no centro de recrutamento em Ramat Gan. Ele deixou clara sua objeção ao serviço militar por motivos de consciência perante representantes do Exército israelense, bem como em uma declaração por meio do processo de recusa do coletivo Mesarvot de objetores de consciência, antes de sua convocação.

No entanto, os militares classificaram sua recusa como desobediência. A Anistia Internacional considera que Yuval e outros objetores são prisioneiros de consciência, detidos unicamente por exercerem seu direito à objeção de consciência.
Em declaração compartilhada após sua libertação, Yuval disse: “Após ser preso 5 vezes e passar um total de 130 dias em uma prisão militar por me recusar a me alistar nas Forças de Defesa de Israel, finalmente fui libertado e dispensado do serviço militar. Estou incrivelmente feliz por estar fora da prisão. Foi uma experiência difícil e durou mais do que eu esperava, mas quero agradecer a todos na Anistia Internacional pelo apoio – foi incrivelmente fortalecedor saber que, mesmo estando preso, existem pessoas em todo o mundo que apoiam minhas ações e estão lutando pela minha libertação, e sem elas não sei como teria conseguido superar isso.”
Yuval acrescentou ainda não haver se arrependido de ter recusado o alistamento. “As Forças de Defesa de Israel provaram ser uma organização desprezível e criminosa, e não há desculpa para se juntar a elas. Eu, e muitos outros, continuaremos a lutar e a nos opor a elas enquanto for necessário”, assinalou o jovem.
“Gostaria de lembrar a todos que, embora eu finalmente tenha sido libertado, ainda há outros dois objetores de consciência na prisão atualmente e outro que pode ser deportado. Espero que todos sejam libertados o mais rápido possível e os apoiarei durante todo o seu encarceramento”.
*Apoiando-se em reportagem de Oren Ziv no +972 Magazine, no podcast de Matt Bernsteine em informações da Anistia Internacional



