O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em conjunto com a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo (Cojira-SP) e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira), vêm a público prestar total apoio ao jornalista audiovisual Lucas Veloso, co-fundador da Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que foi vítima de um golpe cibernético iniciado em 19 de março.
O jornalista, que integra a Cojira-SP, relatou ter tido sua imagem divulgada como suspeito de crime após uma sequência de contatos iniciada nas redes sociais e por telefone. O caso envolve um casal que se apresenta como proprietário de uma loja de celulares em Duque de Caxias (RJ). Segundo Lucas Veloso, um perfil desconhecido passou a segui-lo na manhã do dia 18 de março. Por volta das 16h, ele recebeu ligações de dois homens informando terem sofrido prejuízo após a retirada de aparelhos por motoboys, em nome do jornalista.
Na sequência, Lucas passou a ser pressionado pelos supostos proprietários da loja de celulares a transferir cerca de R$ 8 mil por PIX como forma de ressarcimento. O jornalista decidiu manter o contato para compreender como os suspeitos tiveram acesso a informações pessoais, como nomes completos dos pais e números de CPFs e suas informações pessoais.
Nesse mesmo dia, perfis associados ao casal passaram a publicar fotos do jornalista com mensagens que o vinculavam ao suposto golpe. As postagens pediam que páginas locais e programas de televisão recebessem denúncias sobre o caso.
Num perfil do Instagram, com mais de 45 mil seguidores, foi divulgada imagem da vítima seguida do texto: “Lucas da Silva Ferreira Veloso. Galeria de Fotos. Está com o cabelo mais baixo!”. Outra transmissão ao vivo, segundo ele, solicitava “mobilização para divulgar sua imagem como suspeito”. O conteúdo permaneceu disponível ao longo do dia e só foi retirado após a repercussão de um vídeo gravado pelo próprio Lucas Veloso, no qual o jornalista pede a seus seguidores que denunciem o caso nas plataformas.
Comprovantes de transferências bancárias e recibos de corridas solicitadas por aplicativo de transporte em endereços de Duque de Caxias, com valores superiores a R$ 3 mil e R$ 4 mil em transações distintas, além de registros de entregas por motociclistas, foram apresentados como demonstrativos de suas supostas operações somando R$ 8.172. Mas ele não realizou tais transferências e não as reconhece.
Lucas registrou Boletim de Ocorrência online no mesmo dia e, mais tarde, esteve em uma base comunitária próxima de sua residência para obter informações. A recomendação dada pelos agentes foi de que não realizasse pagamentos, guardasse as provas e aguardasse o encaminhamento interno do caso. O BO será complementado na quarta-feira (8/4), quando está agendado o atendimento em Distrito Policial com sua advogada. O jornalista também irá procurar uma delegacia do Rio de Janeiro, já que o golpe partiu de Duque de Caxias.
Ele também procurou assessoria ligada à Meta Platforms para solicitar auxílio na remoção do conteúdo que circulava na plataforma, mas a resposta da empresa indicou que o atendimento poderia ocorrer apenas em demandas relacionadas à imprensa e orientou a utilização dos canais de ajuda das plataformas. O profissional informa que não recebeu retorno posterior, nem apoio direto para retirada das publicações e que as contas dos autores não foram suspensas pela plataforma.
Até o momento, os dados do jornalista seguem expostos, não houve desmentido oficial de sua participação no caso relatado pelo casal, ele continua sem proteção policial e sua imagem segue associada a um crime.
Uma situação que ganha mais gravidade pelo fato de Lucas ser um profissional negro em um país com histórico estrutural de racismo, onde a criminalização de corpos negros é historicamente utilizada como ferramenta de exclusão social e profissional. A exposição de sua imagem como suspeito de crime, sem qualquer fundamentação, reforça estereótipos racistas e amplifica os danos à sua reputação.
O jornalista manifesta preocupação com a impossibilidade de mensurar a real extensão do vazamento de seus dados pessoais e de seus familiares. A incerteza sobre quantas pessoas tiveram acesso a essas informações e o risco de serem utilizadas de forma maliciosa no futuro têm gerado angústia e insegurança ao jornalista. Ele teme novos golpes e ser prejudicado em sua carreira profissional, uma vez que a confiança e a credibilidade são fundamentais para o exercício do jornalismo.
O SJSP e a Fenaj, em conjunto com Cojira-SP e Conajira, darão apoio jurídico ao jornalista e encaminharão ofício à Secretaria de Segurança Pública pedindo celeridade na investigação.
São Paulo, 07 de abril de 2026.
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo


