A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) vem a público expressar seu mais profundo pesar e veemente repúdio diante do ataque das forças israelenses no sul do Líbano, ocorrido neste sábado (28), que resultou na morte de três profissionais de imprensa.
As vítimas, que cumpriam o dever ético e profissional de informar sobre o conflito, foram identificadas como Al Shuaib, correspondente do canal Al Manar, e a jornalista Fátima Ftouni, da rede Al Mayadeen, morta ao lado de seu irmão e fotojornalista, Mohammad Ftouni. O alvo da agressão foi o veículo que transportava os profissionais da imprensa, em um contexto de invasão terrestre que já forçou o deslocamento de mais de um milhão de pessoas no país.
No início de março, Israel já havia assassinado sete integrantes da família Ftouni no Líbano. As mortes foram noticiadas, ao vivo, por Fátima Ftouni.

A FENAJ reafirma que o exercício do jornalismo em zonas de guerra é protegido por normas internacionais. A agressão israelense constitui uma violação direta aos direitos humanos e às leis de guerra, ignorando a proteção internacional conferida a civis e comunicadores. Como destacado pelas autoridades locais, tais atos configuram um crime flagrante contra as regras elementares do direito internacional humanitário.
É inadmissível, ainda, a tentativa das Forças de Defesa de Israel (IDF) de criminalizar as vítimas para justificar ataques deliberados. A alegação de que profissionais de imprensa estariam atuando sob “disfarce”, sem a apresentação de qualquer prova, é uma estratégia recorrente que visa silenciar aqueles que testemunham a crise humanitária e a ofensiva que já vitimou mais de mil pessoas em menos de um mês.
Importante ressaltar que este episódio não é isolado, mas parte de uma estatística alarmante: em 2025, segundo levantamento da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), o mundo registrou o recorde de 128 jornalistas mortos, o maior número documentado em três décadas. Desse total, 43,75% foram assassinados na Palestina.
Diante do agravamento das tensões regionais e da escalada da violência, a FENAJ cobra a investigação imediata e independente sobre o ataque ao veículo dos jornalistas, bem como a responsabilização internacional dos culpados por crimes de guerra contra profissionais de mídia. A FENAJ exige também respeito irrestrito às convenções internacionais que garantem a segurança de jornalistas em áreas de conflito.
O jornalismo não é crime. Atacar jornalistas é atacar o direito fundamental de toda a sociedade à informação. Pelo fim do genocídio, pela paz e pela segurança de quem informa!
Brasília, 28 de março de 2026.
Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ


