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Exército israelense executa mais três repórteres palestinos; número de jornalistas assassinados em Gaza chega a 260; Trump quer genocida Netanyahu no “Comitê da Paz”!

Redação - SJSP

Os corpos de 11 palestinos chegaram a hospitais em Gaza entre a manhã e as 16h desta quarta-feira, 21 de janeiro (horário local), enquanto seis palestinos ficaram feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. De acordo com a última contagem realizada, que ainda não inclui estas mortes, o número total de palestinas e palestinos assassinadas(os) por Israel desde 7 de outubro de 2023 já excede 71.551, além de 171.372 feridos(as).

Três jornalistas palestinos — Mohammed Salah Qashta, Abdul Raouf Samir Shaath e Anas Abdullah Ghanim — foram mortos por ataques israelenses nesta quarta. Os jornalistas foram alvejados em um ataque contra o carro em que estavam, enquanto filmavam para uma iniciativa humanitária do governo egípcio na cidade de Zahraa, na região central da Faixa de Gaza. Imagens do local após o ataque mostram o veículo atingido claramente identificado com o logotipo do Comitê Egípcio.

“O número de jornalistas mártires subiu para 260 desde o início da guerra genocida na Faixa de Gaza, após o anúncio do assassinato de três jornalistas palestinos”, declarou o Gabinete de Imprensa do Governo de Gaza, que condenou veementemente “o ataque sistemático, o assassinato e a perseguição de jornalistas palestinos pela ocupação israelense”. O Gabinete apela à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), à Federação de Jornalistas Árabes e a todas as entidades jornalísticas do mundo “que condenem esses crimes sistemáticos contra jornalistas e profissionais da mídia palestinos na Faixa de Gaza”.

Em ataques israelenses separados na quarta-feira, um homem e seu filho de 13 anos foram mortos em um ataque de drone israelense, juntamente com um homem de 22 anos, enquanto coletavam lenha no lado leste do campo de refugiados de Bureij, na região central de Gaza, segundo a Associated Press. Outro menino de 13 anos foi morto a tiros pelo Exército israelense em Bani Suhaila, no leste de Khan Younis.

Na terça-feira, as forças israelenses realizaram ataques aéreos a leste de Khan Younis, Deir al-Balah e do campo de Bureij, além de disparos de artilharia a leste da Cidade de Gaza, demolições perto de Beit Lahiya, ataques navais contra barcos de pesca perto do campo de Shati e novos bombardeios no oeste de Rafah, segundo o Palestine Online. Outros relatos descreveram intensos bombardeios e a demolição de prédios residenciais a leste do campo de Jabalia, no norte de Gaza.

Não houve aumento significativo no envio de suprimentos humanitários para Gaza, disseram oito diplomatas à Reuters. Governos europeus estão reavaliando seu envolvimento no Centro de Coordenação Civil-Militar liderado pelos EUA no sul de Israel. Um diplomata ocidental classificou o órgão como “sem rumo”, enquanto outro afirmou: “Todos acham que é um desastre, mas não há alternativa”.

O presidente Donald Trump disse que o “Conselho da Paz” proposto por ele para supervisionar a Faixa de Gaza “poderia” substituir as Nações Unidas, embora tenha acrescentado que gostaria que a ONU continuasse seu trabalho por enquanto, antes da assinatura da carta do conselho prevista para esta quinta-feira, 22, no Fórum Econômico Mundial em Davos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, aceitou integrar o “Conselho da Paz” de Trump, o que é um paradoxo. Netanyahu é o principal responsável pela guerra genocida de Israel contra Gaza e pela escalada de violências e limpeza étnica na Cisjordânia e em Jerusalém; e o Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra ele por crimes de guerra em Gaza.

Egito, Bahrein, Kosovo e Azerbaijão aceitaram convites para integrar o Conselho da Paz”. Eles se juntam aos Emirados Árabes Unidos, Armênia, Marrocos, Vietnã, Bielorrússia, Hungria, Cazaquistão e Argentina. Enquanto isso, Noruega e Suécia anunciaram na quarta-feira que não aceitarão seus convites, seguindo os passos da França, que também recusou. Igualmente convidado por Trump, o presidente Lula ainda não se manifestou a respeito.

Abrigos para pelo menos 4.000 famílias deslocadas em 80 locais de Gaza foram danificados ou destruídos por tempestades de inverno na semana passada, segundo a ONU. Agências humanitárias afirmaram que as restrições israelenses continuam a atrasar e limitar a ajuda humanitária. Centenas de milhares de pessoas permanecem “expostas às condições climáticas de inverno sem abrigo adequado”, disse a ONU, acrescentando que as operações de ajuda continuam “apesar dos impedimentos diários” que afetam tanto a velocidade quanto a escala da assistência. Leia aqui a reportagem completa da Drop Site.

A ONU informou que quase 450 espaços de aprendizagem temporários estão em funcionamento em Gaza, atendendo cerca de 40% das crianças, enquanto parceiros humanitários distribuíram mais de 1.300 tendas, 7.000 lonas e milhares de colchões, cobertores e roupas de inverno na última semana. A ONU reiterou a necessidade de “soluções sustentáveis ​​de abrigo”, incluindo o reparo de casas danificadas, a remoção de entulhos e a restauração dos sistemas de água e saneamento. Foram adicionados ao Complexo Médico Nasser 140 leitos cirúrgicos e de reabilitação, juntamente com cinco leitos de UTI neonatal no Hospital Awda.

As violações israelenses desde o “cessar-fogo” de 10 de outubro resultaram em 483 mortos, com mais de 96% dos ataques ocorrendo em áreas residenciais distantes da “Linha Amarela”, segundo o Governo de Gaza. O gabinete relatou 1.287 feridos e 50 prisões de civis, e afirmou que Israel permitiu a entrada de apenas 43% dos caminhões de ajuda humanitária acordados e 13% do combustível necessário, enquanto bloqueava equipamentos pesados, materiais para abrigos, suprimentos médicos e materiais necessários para a operação de usinas de energia. Autoridades de Gaza alertaram que esse padrão configura fome e coerção deliberadas, e instaram os EUA, a ONU e os garantes do cessar-fogo a exigirem o cumprimento integral do acordo e a permitirem o acesso humanitário imediato.

A organização israelense B’Tselem declarou em seu novo relatório que Israel mantém uma “política sistêmica e institucionalizada de tortura e abuso” contra prisioneiros palestinos, acusando de cumplicidade “todo o regime israelense” e, ainda, a comunidade internacional, por “permitir a tortura sistêmica” ao não intervir. O relatório documenta pelo menos 84 mortes de palestinos sob custódia israelense desde outubro de 2023, além de relatos de espancamentos, choques elétricos, violência sexual, fome, negligência médica e superlotação extrema. A B’Tselem afirmou que a magnitude dos abusos obriga os atores internacionais a pressionar por responsabilização e garantir que os culpados sejam levados à justiça.

Na Cisjordânia, as forças israelenses realizaram o segundo dia consecutivo de operações militares no sul de Hebron, isolando bairros, invadindo casas e impondo toque de recolher na área, segundo o Ultra Palestine. Houve grande mobilização de tropas, fechamento de ruas e comércios, o que alterou drasticamente a vida dos moradores palestinos de Hebron. Um oficial da unidade de “Administração Civil” do Exército de Israel teria dito a líderes de clãs locais que Israel exige a entrega de todas as armas e fechará a área por um ano inteiro caso os palestinos não cumpram a exigência.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o chefe da Liga UEFA, Aleksandr Ceferin, teriam interferido para impedir a demolição planejada por Israel de um campo de futebol no campo de refugiados de Aida, usado semanalmente por cerca de 250 crianças, depois que os militares israelenses alegaram que a construção foi “ilegal” perto do muro de separação de Israel, segundo o New York Times. Após semanas de pressão internacional e negociações envolvendo autoridades suíças, a demolição foi suspensa até a decisão final do governo israelense.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou veementemente a demolição do complexo da UNRWA em Sheikh Jarrah, Jerusalém Oriental, pelas autoridades israelenses, ressaltando que o local “permanece como propriedade das Nações Unidas, sendo inviolável e imune a qualquer forma de interferência”. Guterres citou uma carta enviada ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em 8 de janeiro de 2026. Ele descreveu as ações como “totalmente inaceitáveis” e em violação das obrigações de Israel perante o direito internacional, incluindo a Carta da ONU e a Convenção sobre os Privilégios e Imunidades das Nações Unidas. Guterres instou Israel a “cessar imediatamente a demolição” e a “devolver e restaurar o complexo e outras instalações da UNRWA às Nações Unidas sem demora”.

(Resumo baseado na edição de 21 de janeiro da Drop Site News, bem como em informações do Gabinete de Imprensa de Gaza)


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