Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo
Logo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Logo da Federação Internacional de Jornalistas
Logo da Central Única dos Trabalhadores
Logo da Federação Nacional de Jornalistas

“Exército de Israel comete mais assassinatos seletivos de jornalistas do que forças armadas de qualquer outro governo”, e responde por 2/3 das mortes desses profissionais no mundo em 2025, diz CPJ

Pedro Pomar

O Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), entidade sediada em Nova Iorque (EUA), divulgou na última quarta-feira, 25 de fevereiro, seu relatório anual sobre assassinatos de jornalistas, que traz números alarmantes. O CPJ apurou a ocorrência de 129 mortes violentas de jornalistas no mundo todo. “Em 2025, o número de jornalistas e profissionais da mídia mortos foi maior do que em qualquer outro ano desde que o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) começou a coletar dados, há mais de três décadas”, diz o documento.

“Este é o segundo recorde consecutivo de mortes de jornalistas em comparação com o ano anterior. Israel foi responsável por dois terços de todos os assassinatos de jornalistas tanto em 2025 quanto em 2024”, informa o relatório do CPJ, que em linhas gerais coincide com as denúncias que já vinham sendo feitas por outras entidades, como Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Federação Internacional de Jornalistas (FIJ). Nada menos que 84 jornalistas foram assassinados pelas forças armadas de Israel no ano passado, especialmente em Gaza, mas também no Iêmen e no Irã.

“As Forças de Defesa de Israel (IDF) cometeram mais assassinatos seletivos de jornalistas do que as forças armadas de qualquer outro governo desde que o CPJ começou a documentar esses atos em 1992”, aponta o relatório. “Pelo menos 104 dos 129 jornalistas e profissionais da mídia foram mortos em meio a conflitos em 2025. Embora o número de jornalistas mortos na Ucrânia e no Sudão tenha aumentado, a maioria eram palestinos mortos por Israel”.

O CPJ diz ainda que “foram realizadas pouquíssimas investigações transparentes sobre os casos de assassinatos seletivos documentados pelo CPJ em 2025”, e que ninguém foi responsabilizado em nenhum desses casos. Essa conclusão é consistente com o padrão de ampla impunidade dos incontáveis crimes de guerra cometidos por Israel na Palestina, lembrando que há mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

“Embora a cobertura jornalística de guerras seja inerentemente perigosa, Israel mudou o paradigma ao atacar jornalistas de forma deliberada e ilegal”. Em 2025, o CPJ documentou 47 casos de jornalistas assassinados por causa de seu trabalho, sendo Israel responsável por 81% deles”, assinala o relatório. Porém, adverte, “o número total de assassinatos seletivos pode ser muito maior”.

Isso porque, lembra, “em meio às restrições extremas impostas a Gaza, incluindo a proibição de acesso da imprensa estrangeira independente, a destruição da infraestrutura de comunicações, o deslocamento em massa e a perda generalizada de vidas, é difícil investigar as circunstâncias de cada morte”. E conclui: “Com muitas evidências da época agora destruídas, o número real de jornalistas palestinos em Gaza que foram alvos deliberados de Israel pode nunca ser conhecido”.

A divulgação deste relatório ocorre semanas após a denúncia, feita por funcionários da própria entidade, de que o objetivo da recente decisão do CPJ de extinguir o chamado “Índice de Impunidade”, que o CPJ havia instituído e divulgava anualmente, é proteger a imagem de Israel. Isso porque, se o Índice fosse divulgado neste momento, Israel apareceria no topo e permaneceria nele por uma década. A razão para essa decisão seria atender a pressões dos principais financiadores do CPJ.

Confira aqui a íntegra do relatório.

veja também

relacionadas

mais lidas

Acessar o conteúdo