Jornalistas que trabalham em jornais e revistas do interior, litoral e Grande SP, em assembleia na última quinta-feira, definiram a pauta de reivindicações para a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Na ocasião, foi aprovado manifesto pela revogação da Lei nº 15.325/2026, que cria a chamada profissão de “multimídia” – um ataque à regulamentação e a conquistas históricas da nossa categoria.
A pauta de reivindicações da campanha salarial, cuja data-base é 1º de junho, foi entregue ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado de São Paulo (SindJori) nesta sexta-feira (27). O Sindicato dos Jornalistas já se colocou à disposição para iniciar imediatamente as negociações.
No documento aprovado em assembleia, a categoria pleiteia, nas cláusulas econômicas:
| reposição da inflação registrada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período de 1º/06/2025 a 31/05/2026 (cujo percentual só será publicado em junho); |
| reposição de perdas que não foram repostas, correspondentes ao período entre 1º/06/2021 a 31/05/2024, de forma retroativa; |
| 4% de aumento real. |
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apresentará para o Sindicato dos Jornalistas, em abril, estudo sobre as defasagens econômicas da categoria que trabalha em jornais e revistas.
A notícia vale. Quem produz, também!
No compasso da Campanha Salarial Nacional Unificada dos Jornalistas de 2026, a pauta que já está nas mãos do patronal reivindica a justa recomposição nos pontos econômicos, que sofrem enorme defasagem e ainda são impactados pelo período em que a categoria ficou sem CCT.
Nas cláusulas sociais, foram incorporadas demandas das e dos jornalistas ao longo dos anos, como: adicionais de republicação, acúmulo de função e de quinquênio; igualdade salarial entre homens e mulheres; extensão da licença maternidade; normas de combate ao assédio moral e sexual e de teletrabalho. Questões que afetam a remuneração, condições de trabalho e de saúde das e dos profissionais que atuam no segmento.
Conheça a pauta de reivindicações
A categoria passa a ficar em estado de assembleia permanente para que possa discutir o andamento da campanha salarial a qualquer hora.
É o momento de discutir entre as e os colegas nas redações e se preparar para participação na próxima assembleia. Só a mobilização garantirá avanços!
REVOGAÇÃO DA LEI MULTIMÍDIA JÁ!
Pela ampla mobilização do conjunto da categoria, jornalistas de jornais e revistas do interior aprovaram o seguinte manifesto:
Reunidas e reunidos em assembleia, jornalistas que trabalham nas empresas de jornais e revistas manifestam sua firme posição pela revogação da Lei nº 15.325/2026, que cria a chamada profissão de “multimídia” e representa uma ameaça concreta às condições de trabalho e à própria identidade do nosso ofício. Ampla e genérica, essa nova função sobrepõe atribuições já exercidas por jornalistas e por outras categorias da comunicação, desvalorizando de modo inaceitável o jornalismo e abrindo espaço para a precarização.
Nossa profissão é de interesse público, essencial para a democracia e para a livre circulação de informações. Trata-se de uma atividade regulamentada, com direitos, funções específicas e responsabilidades estabelecidas por lei e pela Constituição Federal, além de um Código de Ética próprio. A criação de uma nova categoria profissional com atribuições que invadem o campo do jornalismo representa, na prática, uma tentativa de desregulamentar a profissão e enfraquecer conquistas históricas da categoria.
Essa nova lei abre caminho para a substituição de jornalistas por profissionais com menor proteção trabalhista e sem o reconhecimento das especificidades do fazer jornalístico, o que tende a aprofundar a precarização das relações de trabalho, reduzir salários e enfraquecer a qualidade da informação produzida no país. Ao longo das últimas décadas, jornalistas já exercem seu ofício em diferentes plataformas e linguagens digitais, mas exercendo a profissão com técnica, responsabilidade e ética.
Diante desse cenário, esta assembleia reafirma a necessidade de mobilização nacional pela revogação da lei, reafirmando o papel dos sindicatos de jornalistas e da Federação Nacional dos Jornalistas, em defesa de uma atualização da nossa regulamentação profissional, do retorno à necessidade do diploma como critério de acesso à profissão, da valorização do trabalho jornalístico e dos direitos da categoria.


