Hajj Mohamed Sherri, veterano jornalista da emissora Al-Manar TV, afiliada ao Hezbollah, e sua esposa foram assassinados num ataque aéreo israelense ao prédio residencial onde ele morava com a família no centro de Beirute, na manhã de 18 de março último (quarta-feira).
Sherri era chefe do Departamento de Programas Políticos da Al-Manar TV e âncora da emissora, e acredita-se que seu assassinato tenha sido premeditado. Vários membros da família de Sherri ficaram feridos no ataque. Uma fonte da União de Jornalistas do Líbano (UJL) informou que Yasser Sherri, filho de Mohamed e editor do canal Aletejah, afiliado ao Hezbollah iraquiano, ficou ferido durante o mesmo ataque.
Os ataques do dia 18 elevaram para 968 o número de mortos em ataques israelenses no Líbano desde 2 de março, incluindo 116 crianças e 77 mulheres, segundo Rakan Nasreddine, ministro da Saúde libanês.
Teme-se que Israel repita no Líbano as atrocidades cometidas em Gaza, já que sua invasão terrestre enfrenta firme resistência do Hezbollah. Até agora, a comunidade internacional foi incapaz de deter Israel ou mesmo responsabilizar esse país por seus crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) uniu-se à sua afiliada, a UJL, na condenação do ataque, denunciando-o como uma violação do direito internacional humanitário. “Condenamos veementemente o assassinato de Mohammad Sherri e os contínuos ataques contra jornalistas e civis no Líbano. Atacar um prédio residencial e matar um profissional da mídia em sua casa demonstra total desrespeito ao direito internacional humanitário. Exigimos uma investigação rápida e independente e que os responsáveis sejam responsabilizados”, declarou o secretário-geral da FIJ, Anthony Bellanger.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), entidade sediada em Nova Iorque, emitiu declaração em que repudia o assassinato de Sherri. “O assassinato do jornalista Mohamed Sherri em seu apartamento no centro de Beirute representa uma escalada alarmante na ofensiva de Israel no Líbano”, disse Joud Hasan, coordenador do Programa do CPJ para o Levante. “Não há justificativa para atacar um prédio residencial densamente povoado, e tais ataques demonstram total desrespeito pela vida civil e pela segurança dos jornalistas”.
Até 18 de março, o CPJ documentou no Líbano que quatro jornalistas sofreram ferimentos, quatro veículos de comunicação foram alvo de ataques do Exército de Israel, houve obstrução de equipes de reportagem e deslocamento de jornalistas de partes de Beirute e do sul do país.


