Após quase quatro meses de luta, jornalistas que trabalham nas emissoras do estado de São Paulo aprovaram a assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho 2025/2026, documento que garante uma série de direitos à categoria, incluindo os índices de reajuste dos salários e cláusulas econômicas. A Convenção Coletiva tem vigência de 1º de novembro de 2025 a 31 de outubro de 2026, mantendo 1º de novembro como data-base da categoria.
A assembleia decisiva ocorreu na última quinta-feira, 26 de fevereiro, e contou com a participação de colegas de diversas redações do estado. Além da reposição integral da inflação nos salários, de 4,49%, o acordo aprovado garante ganho real nos pisos de cidades do interior e do litoral, reajuste no vale-refeição um pouco acima da inflação e a inclusão de uma nova cláusula de combate ao assédio moral e sexual.
A Campanha Salarial, iniciada no final de agosto com a realização de assembleia para a aprovação da pauta de reivindicações, teve como um dos eixos centrais a necessidade de ampliar as condições de qualidade de vida além do trabalho, diante do aumento da carga de trabalho e da pressão por resultados, o que tem resultado em adoecimento generalizado da categoria. Nesse sentido, a negociação resultou em uma importante conquista para a Convenção Coletiva: as empresas deverão conceder uma folga adicional após sete dias trabalhados, visando impedir que jornalistas precisem cumprir até 12 dias consecutivos de trabalho por conta dos plantões aos finais de semana.
Pelo texto aprovado, as empresas deverão conceder uma folga adicional a cada sete dias trabalhados, que deverá ocorrer em qualquer dia da semana seguinte. Em caráter excepcional, essa folga poderá ser compensada junto às férias ou em pontes de feriados, desde que haja acordo formal entre o trabalhador e a empresa. A Convenção também estabelece que as emissoras terão prazo de até 180 dias para realizar os ajustes necessários e implementar a nova regra.
Outro avanço fundamental da negociação foi a inclusão de uma cláusula específica de combate ao assédio moral e sexual no ambiente de trabalho. O dispositivo estabelece o compromisso das empresas de adotar medidas para prevenir esse tipo de prática, reconhecendo que situações de assédio comprometem a saúde física e psíquica dos trabalhadores, deterioram o ambiente profissional e impactam diretamente a carreira das vítimas. A cláusula prevê a divulgação dos canais de denúncia anônima que o Sindicato mantém de maneira independente e também garante que o processo eleitoral da CIPA, que prevê atuação no combate ao assédio moral, seja comunicado à entidade sindical.
No campo econômico, a negociação também trouxe avanços importantes. Os pisos salariais da categoria foram atualizados e passam a ser de R$ 3.670,96 na capital, R$ 2.407,00 em municípios com mais de 80 mil habitantes e R$ 2.372,00 em cidades com menos de 80 mil habitantes (levando em conta a jornada de trabalho de cinco horas diárias). O resultado representa ganho real nos pisos praticados em cidades do interior e do litoral (munícipios com mais de 80 mil habitantes tiveram 0,16% de ganho real e municípios com menos de 80 mil habitantes, 0,93%), um passo importante para reduzir a defasagem entre os pisos da capital e das demais cidades e avançar na perspectiva de que a categoria tenha no máximo dois pisos salariais e, futuramente, um piso único.
Além disso, o acordo estabelece o pagamento de um abono extraordinário equivalente a 17,96% do salário contratado em outubro de 2025, a ser pago até a folha de março de 2026 para as empresas que não realizaram o adiantamento do reajuste salarial ao longo da negociação.
Durante a assembleia, também foi debatida a importância de manter reuniões periódicas ao longo do ano, de forma a fortalecer a organização da categoria para chegar ainda mais preparados para a próxima Campanha Salarial. Para o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Thiago Tanji, a assinatura desta Convenção Coletiva reafirma a importância da organização das e dos jornalistas. “Foram meses de mobilização, debates e negociação. Garantimos alguns avanços importantes, sobretudo no combate ao assédio e na discussão para jornadas de trabalho mais razoáveis e humanas. Agora o desafio é seguir organizando a categoria dentro das redações para chegarmos ainda mais fortes na próxima negociação e avançar em novas conquistas.”


