Em Jerusalém, Exército de Israel demole prédio que abrigava 35 palestinos e agride moradores

Qais Abu Samra e Ikram Kouachi (Anadolu)*

Nesta quarta-feira, 21 de outubro, forças israelenses demoliram um prédio de sete apartamentos que abrigava 35 palestinos perto do campo de refugiados de Qalandia, ao norte de Jerusalém Oriental ocupada. O governo palestino de Jerusalém informou que o Exército agrediu moradores e destruiu um veículo na área.

O prédio residencial na área de Al-Wad, perto de uma pedreira adjacente ao campo de Qalandia, foi demolido sob alegações de construção sem licença.  Os moradores ficaram desabrigados após a demolição, segundo o comunicado governamental. A agência de notícias oficial palestina WAFA informou que os apartamentos demolidos pertenciam à família Abu Laba.

As autoridades israelenses impõem restrições draconianas à emissão de licenças de construção para palestinos em Jerusalém Oriental ocupada. Em junho, a organização Human Rights Watch afirmou que a obtenção de licenças de construção para palestinos em Jerusalém Oriental e em áreas da Cisjordânia ocupada sob controle israelense é praticamente impossível.

Enquanto isso, um relatório divulgado pelo Escritório Central Palestino de Qalandia em outubro, citando a Comissão de Colonização e Resistência ao Muro, afirmou que as autoridades israelenses realizaram 341 operações de demolição na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, durante o primeiro semestre de 2026. No total, essas demolições afetaram 740 estruturas palestinas, incluindo unidades habitacionais habitadas e em construção, bem como instalações comerciais e agrícolas e meios de subsistência.

As autoridades israelenses emitiram 254 notificações de demolição contra estruturas palestinas durante o mesmo período, sob a alegação de construção sem licença, incluindo 34 na província de Jerusalém, diz ainda o relatório do Escritório Central Palestino.

As demolições ocorrem em meio a uma escalada nas medidas israelenses contra palestinos e suas propriedades em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, não obstante alertas palestinos e internacionais sobre as consequências de deslocamento e perda de meios de subsistência.

*Resumo de matéria publicada na edição de 21 de outubro (acesse aqui a publicação original em inglês).

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