Nesta terça-feira, 4 de agosto, um funeral coletivo foi realizado para 112 membros das famílias Abu Sharia e Al-Hasayna, cujos restos mortais foram recentemente recuperados após um ataque israelense no início do genocídio. Os corpos foram recuperados no último fim de semana no local de um ataque aéreo realizado por Israel em novembro de 2023 no bairro de Sabra, na Cidade de Gaza.
A Defesa Civil de Gaza informou que entre os restos mortais estavam 40 crianças, enquanto outros 157 corpos ainda são considerados desaparecidos sob os escombros do ataque, que matou mais de 300 pessoas. “Apesar da operação de resgate, a busca está longe de terminar. Estima-se que outras 157 pessoas ainda estejam enterradas sob os escombros do mesmo quarteirão. O funeral é um lembrete contundente de que o custo humano da guerra continua muito depois do fim dos bombardeios”, diz a organização Save the Children. “Mais de 21.000 crianças foram mortas em Gaza desde outubro de 2023, e julho foi o mês mais letal para os palestinos desde a entrada em vigor do cessar-fogo”, destaca.
“Estamos testemunhando cenas comoventes em Gaza hoje, onde as famílias e os amigos de dezenas de crianças e adultos finalmente puderam dar um enterro digno aos seus entes queridos. Nenhuma família deveria passar pela dor de perder um filho e, além disso, sofrer a indignidade de não poder enterrar seus corpos. No entanto, para inúmeras famílias em Gaza, essa se tornou a realidade”, declarou Ahmad Alhendawi, diretor regional da Save the Children.
“As autoridades israelenses continuam restringindo o acesso das equipes de busca e resgate e impedindo a entrada de máquinas pesadas, equipamentos especializados e recursos forenses necessários para recuperar os corpos que ainda estão soterrados sob os escombros”, denuncia Alhendawi. “Essas restrições devem ser suspensas imediatamente. As famílias têm o direito de recuperar, identificar e lamentar a perda de seus filhos. As autoridades israelenses também devem cessar os ataques aéreos que continuam a deixar mais famílias sofrendo a dolorosa perda de seus entes queridos”.
As equipes de busca e resgate devem ter maior acesso aos locais de destruição, e os equipamentos especializados e recursos forenses devem ser autorizados a acessar os locais para alcançar aqueles que ainda estão soterrados sob os escombros, exige Alhendawi: “As famílias têm o direito de recuperar, identificar e lamentar a perda de seus filhos”.
O número total de mortos desde 7 de outubro de 2023 subiu para 73.377, com 174.230 feridos. Desde 11 de outubro de 2025, o primeiro dia completo do chamado “cessar-fogo”, Israel matou pelo menos 1.252 palestinos em Gaza e feriu 4.120, enquanto 804 corpos foram recuperados dos escombros. Os ataques israelenses foram retomados na noite de segunda-feira, após uma breve pausa de 30 horas. Um avião israelense atingiu um veículo na rua costeira Rashid, na Cidade de Gaza, matando pelo menos dois palestinos e ferindo vários outros.
Eyad Amawi, coordenador de ajuda humanitária em Gaza, disse a Drop Site que o ataque ocorreu imediatamente após uma delegação do “Conselho da Paz” concluir sua visita a Israel.
*Baseando-se em informações publicadas em 4 de agosto por Drop Site News (disponível aqui), por Save the Children e por outras fontes.


