Visita de Bolsonaro impulsiona ataques a jornalistas no interior e litoral de SP

Sindicato repudia agressões e acompanha casos

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Após ocorrência, Regional Santos abriu plantão para casos de violência ou cerceamento do livre exercício profissional. O Sindicato realizou, em Santos, manifestação em defesa da liberdade de expressão e imprensa e em solidariedade a jornalistas agredidosApós ocorrência, Regional Santos abriu plantão para casos de violência ou cerceamento do livre exercício profissional. O Sindicato realizou, em Santos, manifestação em defesa da liberdade de expressão e imprensa e em solidariedade a jornalistas agredidos

Denúncias que chegaram ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) revelam que, no mínimo, seis ataques foram feitos contra profissionais da imprensa durante a visita do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), a cidades do interior e litoral do estado durante o feriado de Nossa Senhora da Aparecida. Desses, cinco aconteceram em Guarujá.

As agressões partiram de apoiadores do presidente. Ao menos três boletins de ocorrência foram registrados.

O SJSP manifesta grande preocupação com a segurança dos jornalistas. O diretor regional, Sandro Thadeu, afirma que “os ataques estão diretamente ligados ao discurso de ódio promovido pelo governo Bolsonaro contra os jornalistas e o jornalismo. Não interessa que a população esteja informada sobre o que ocorre no país, como a corrupção na compra de vacinas contra Covid e política econômica que tem levado à fome, ao desemprego e à desesperança”.

Após a primeira ocorrência, na sexta-feira (8), a Regional Santos abriu um plantão para casos de violência ou cerceamento do livre exercício profissional. Na manhã de domingo (10), o Sindicato realizou, em Santos, manifestação em defesa da liberdade de expressão e imprensa e em solidariedade a jornalistas agredidos. O ato, na Estação da Cidadania, teve apoio da CUT Subsede Baixada Santista e presença de jornalistas e representantes dos sindicatos da Alimentação, Sinprodem (repositores), Sintapi (aposentados), além da Unegro.

Diante do alto risco a que os jornalistas são submetidos, o Sindicato dirigiu-se aos principais veículos de comunicação da Baixada Santista solicitando que providenciem escolta para garantir condições seguras de trabalho aos profissionais. Também recomendou que as empresas tornassem públicas as agressões sofridas pelos jornalistas durante a permanência de Bolsonaro na região.

Histórico de ataques
Na sexta-feira (8), um apoiador desferiu um tapa no equipamento do repórter cinematográfico da TV Tribuna que fazia cobertura da chegada do presidente. Outros jornalistas foram agredidos com xingamentos.

Na segunda-feira (11), conforme relatos, por volta de meio dia, um motoqueiro dirigia ao lado do carro da VTV/SBT provocando a equipe com ofensas e chegando a chamar para briga. No mesmo dia, uma repórter e um cinegrafista da TV Tribuna foram achincalhados por um sujeito que foi para cima da repórter, com ofensas.

O repórter cinematográfico da Globonews, Leandro Matozo, foi agredido por um apoiador do presidente Jair Bolsonaro na tarde da terça-feira (12) no Santuário de Nossa Senhora Aparecida.

E a Polícia?
Em Aparecida, os policiais militares conduziram o agressor e o jornalista até uma companhia da PM e registraram apenas uma Notificação de Ocorrência (NOC). Não quiseram levar o agressor para a delegacia, apesar de terem flagrado a agressão. E ainda levaram o agressor de volta ao santuário em uma viatura da polícia. No Guarujá, policiais disseram que não viram nada demais nas agressões ocorridas na cidade.

O SJSP reafirma que esses ataques são uma violação à democracia e ao direito fundamental à informação e acompanhará o desenrolar dos casos cobrando respostas das autoridades competentes.

 

 

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