Nobel da Paz é dado a dois jornalistas. Sindicato reforça importância do jornalismo

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Nesta sexta-feira (8), quando a jornalista filipina Maria Ressa e o jornalista russo Dmitri Muratov são agraciados com o prêmio Nobel da Paz de 2021, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) destaca a importância e a centralidade do jornalismo para o desenvolvimento de sociedades verdadeiramente democráticas.

Em entrevista, o presidente da entidade, Thiago Tanji, destacou que, embora o prêmio esteja personificado nos vencedores Maria Ressa e Dmitry Muratov, a homenagem é digna de todos os profissionais de imprensa, inclusive os jornalistas representados pelo SJSP em todo o estado. “Os jornalistas brasileiros e do estado de São Paulo também estão representados neste Prêmio Nobel da Paz, resistindo diariamente aos ataques do governo Bolsonaro e de todos aqueles que desejam restringir ou silenciar o trabalho da imprensa por meio de qualquer tipo de ameaça ou censura”, frisou Tanji.

O jornalista Juca Kfouri reforçou que a premiação dos dois jornalista evidencia a importância da imprensa na atual conjuntura: “Neste momento em que a imprensa é objeto de tantos ataques, que é vilipendiada pela tempestade de não-notícias, de mentiras, veiculadas até por órgãos tradicionais, o Nobel a dois resistentes reforça o sentido dela como fiscalizadora do poder. Patrícia Campos Mello poderia ser também a ganhadora.”

Enquanto a jornalista filipina Maria Ressa se tornou a 18ª mulher a receber o prêmio desde 1901, o jornalista russo Dmitri Muratov é o primeiro russo a vencer desde 1990, quando o ex-líder soviético Mikhail Gorbatchov foi laureado.

A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) parabenizou os vencedores. “A família FIJ envia seus mais sinceros parabéns a Maria Ressa e Dmitry Muratov por receber este prêmio e ser seus destinatários em sua profissão. Saudamos o reconhecimento do Comitê Nobel da importância da liberdade de imprensa e do papel do jornalismo a serviço da democracia e da paz, especialmente no momento em que os direitos dos jornalistas estão sob ameaças sem precedentes em todo o mundo” disse o secretário-geral da organização, Anthony Bellanger.

 

Leia a entrevista completa com Thiago Tanji, presidente do SJSP, sobre a importância da premiação aos jornalistas e do reconhecimento do jornalismo como promotor da paz e defensor da democracia.

Como o Sindicato vê a premiação de dois jornalistas ao Prêmio Nobel da Paz?

Se ainda existia alguma dúvida sobre a importância do jornalismo e sua centralidade para o desenvolvimento de sociedades verdadeiramente democráticas, hoje já não há mais. É importante destacar que os organizadores do Prêmio Nobel da Paz personificaram o reconhecimento nos jornalistas Maria Ressa e Dmitry Muratov, mas estenderam essa homenagem a todos os profissionais de imprensa, que ocuparam um papel essencial na cobertura da pandemia e em outros momentos críticos de nossa história recente.

Tenho certeza de que os jornalistas brasileiros e do estado de São Paulo também estão representados neste Prêmio Nobel da Paz, resistindo diariamente aos ataques do governo Bolsonaro e de todos aqueles que desejam restringir ou silenciar o trabalho da imprensa por meio de qualquer tipo de ameaça ou censura.

Qual a importância em se reconhecer, internacionalmente e com o Prêmio Nobel, a liberdade de imprensa e o papel do jornalismo a serviço da democracia e da paz?

Eu acredito que, mais do que uma lembrança simbólica, esse Prêmio é uma mensagem de que não é possível fazer um jornalismo verdadeiramente democrático sem a plena liberdade dos profissionais em sua atuação. E isso não se restringe a governos autoritários ou figuras que tentam cercear o trabalho jornalístico. Isso também vale para as empresas de comunicação, que precarizam nosso trabalho, demitem e muitas vezes realizam pressões diversas sobre a cobertura de repórteres, editores e os demais profissionais.

Não por acaso, os dois jornalistas vencedores são profissionais de veículos independentes, que buscam novas maneiras de se organizar e trabalhar com as informações e os fatos de uma maneira mais transparente e democrática.

Qual o papel dos jornalistas em defesa da democracia e em defesa da paz?

Há um jargão de que, sem jornalismo, as democracias morrem. E isso é verdade. Mas acredito que mesmo os países com longa tradição de uma "democracia liberal", por assim dizer, ainda estão muito aquém de prover aos jornalistas uma atuação verdadeiramente livre, que investigue não apenas governos, mas empresas, patrões e as demais figuras que tentam controlar os rumos econômicos e sociais do planeta.

Portanto, obviamente que o trabalho jornalístico deve ser defendido e protegido sobretudo nos locais onde há maiores riscos e fragilidades democráticas, com perseguições sistemáticas, censura etc. Mas a defesa do nosso trabalho vai além disso e deve ser estendido para todas as redações, de todos os países. E no nosso caso, em especial, os sindicatos têm também um papel central na defesa dos direitos e do livre exercício do jornalismo, sobretudo em uma conjuntura como a atual, em que há um inimigo declarado da democracia e dos jornalistas na cadeira de presidente da República.

Como o Sindicato tem atuado neste sentido no Brasil, em um cenário em que o atual presidente é considerado um dos predadores da imprensa livre?

No último dia 7 de abril, dia do Jornalista, entramos com uma ação civil pública contra Jair Bolsonaro pelos danos morais coletivos causados à categoria.

Neste sentido, desde o último dia 29 de maio, participamos das manifestações pelo Fora Bolsonaro nas cidades de São Paulo, estendendo uma faixa que sintetiza o sentimento da categoria: "Jornalistas repudiam os crimes de Bolsonaro".

Junto da Fenaj, da CUT, dos demais sindicatos, movimentos sociais e organizações da sociedade civil, entendemos que tirar Bolsonaro da presidência da República imediatamente é condição básica contra o autoritarismo, ameaças à democracia e ataques aos jornalistas.

Mas além disso, nossa preocupação central também diz respeito à defesa dos direitos, direitos esses sistematicamente atacados pelos patrões e pelas grandes empresas de comunicação. Por conta disso, também defendemos a democratização da comunicação como condição essencial para a construção de uma verdadeira democracia em nosso país.

 

 

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