Jornalistas são hostilizados durante cobertura em Aparecida

Eu estava ali para trabalhar! – desabafa repórter da TV Aparecida

Por Redação - SJSP

O Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam a agressividade de apoiadores do presidente e candidato Jair Bolsonaro com profissionais da imprensa durante a cobertura das celebrações pelo Dia da Padroeira, na cidade de Aparecida (SP), na quarta-feira (12).

A repórter Camila Morais, da TV Aparecida, foi hostilizada, na Praça da Basílica, ao passar por um grupo de pessoas de camiseta com imagem de Bolsonaro. Camila relatou ao Sindicato que estava de blusa vermelha e uma mulher do grupo foi em direção à repórter dizendo que a profissional estava ali para provocar, taxando-a de comunista. 

Apesar da repórter ter se mantido firme em não rebater as provocações, a bolsonarista ameaçou impedir Camila de entrar ao vivo. Para prosseguir com o trabalho, a repórter e sua equipe saíram do local e mudaram de ponto para o link.

“Me senti péssima. Trabalho na emissora há cinco anos e nunca havia passado por isso. Eu estava ali para trabalhar!” – desabafa a jornalista que, no momento da hostilidade, estava com um cinegrafista, uma produtora e dois auxiliares técnicos.

Cinegrafista empurrado
Horas depois, a repórter Daniella Lopes e o cinegrafista Tales de Andrade, da equipe da TV Vanguarda, afiliada da Globo na região do Vale do Paraíba, foram hostilizados. O cinegrafista foi empurrado e agressões maiores só foram impedidas pelo segurança que acompanhava a equipe. 

O clima de tensão para os jornalistas foi permanente. Um dos momentos foi quando muitos bolsonaristas juntaram-se a um grupo de fiéis que já estava concentrado rezando o terço. Repórteres chegaram a sair das imediações.

Diante dos ataques constantes de apoiadores de Bolsonaro contra o exercício do jornalismo e do receio das e dos colegas que fariam a cobertura, o Sindicato, por meio de sua Regional Vale do Paraíba, manteve plantão de denúncias. Reforçamos a orientação para que a categoria informe, o quanto antes, toda e qualquer agressão, seja física, verbal ou virtual.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo contatou os profissionais que sofreram agressão para prestar apoio, solidariedade e disponibilizar atendimento jurídico, caso seja necessário.