Jornais e Revistas da capital oferecem R$ 101 de reajuste, frente inflação de 8,9%

Empresas também querem o fim da multa da PLR. Sindicato convida a categoria para debater a mobilização e garantir a recomposição dos salários e a manutenção dos direitos

Por Redação - Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Mesmo diante da disparada da inflação, que acumulou 8,9% no índice INPC de junho de 2020 a maio de 2021, as empresas de jornais e revistas da capital propuseram reajuste de R$ 101 para a categoria, ou 3% para quem recebe o piso salarial. Apesar de a data-base da categoria ser junho, a proposta patronal só veio na última quinta-feira (8).

No período compreendido nesta campanha salarial, Folha, Estadão e Editora Globo já reduziram os salários de seus jornalistas em 25% por três meses cada uma. Agora, a pauta de reivindicações elaborada pelos jornalistas em abril foi ignorada pelos patrões.

Na primeira mesa de negociação da campanha salarial, em 17 de junho, ao debater as cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho, as empresas já recusam-se a atender à reivindicação de que jornalistas gestantes e adotantes tenham direito a seis meses de licença-maternidade (para os jornalistas, a licença paternidade ficaria em 20 dias).

A cláusula que discute o home office — com o controle de jornada e recebimento de R$ 250 reais mensais a título de reembolso das despesas — não foi sequer discutida pelos representantes das empresas.

Em nova reunião, no dia 8 de julho, o cenário foi ainda pior. A reivindicação dos jornalistas era um reajuste salarial de 11,9% (considerando a inflação, de 8,9%, mais aumento real de 3%). As empresas apresentaram proposta de reajuste de 3% apenas para o piso salarial de 5 horas (R$ 3.382,08). Para os demais salários, o reajuste seria fixo, de R$ 101.

As empresas ainda desejam retirar da Convenção Coletiva a cláusula que trata da Participação de Lucros e Resultados (PLR) das empresas. Atualmente, redações que não têm um programa de PLR são obrigadas a pagar multa de R$ 791,90 aos funcionários.

Diante disso, os representantes do Sindicato dos Jornalistas que estavam na mesa de negociação indicaram que tais propostas são inviáveis de serem consideradas pelos jornalistas.

Apesar do cenário macroeconômico desfavorável, as empresas de comunicação obtiveram crescimento da audiência nos últimos meses — atualmente, significativa parcela das receitas dos jornais e revistas se baseiam nos acessos virtuais de seus produtos.

Como consequência, as empresas conseguiram passar com relativa estabilidade pela crise provocada pela pandemia. No caso da Editora Globo, houve aumento nos projetos de publicidade nos primeiros meses de 2021. Um relatório apresentado por um auditor independente indiciou que o Estadão teve lucro em 2020 e resultados melhores em relação a 2019, quando o mundo ainda não vivia a pandemia. A Folha de S.Paulo, que tem como acionista majoritário o presidente do Conselho de Administração do UOL, bateu recordes de audiência nos últimos meses. Em dezembro de 2020, o PagSeguro (produto do UOL) obteve lucro líquido de R$ 1,268 bilhão.

Além disso, como a maior parte dos jornalistas mantêm o home office, as empresas estão há mais de um ano e seis meses com uma significativa folga nas receitas referentes a serviços como luz, água, demanda por internet e os demais despesas de manutenção das redações. Enquanto isso, somos nós que pagamos pelos custos do trabalho em casa.

Para garantir e ampliar os direitos da Convenção Coletiva e impedir qualquer perda salarial, é preciso garantir a mobilização dos jornalistas. Converse com seus colegas, participe das assembleias e se some às atividades organizadas pelo Sindicato. Agora é hora de lutar para não acumular ainda mais prejuízos em nosso bolso!