“Imprensa ignorou documentos que desmentem mensalão”, diz Raimundo Pereira

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) promoveu na última quarta-feira (dia 17), no auditório Vladimir Herzog, o debate “A cobertura da...

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O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) promoveu na última quarta-feira (dia 17), no auditório Vladimir Herzog, o debate “A cobertura da imprensa na Ação Penal 470 – caso Mensalão”, com os jornalistas Raimundo Rodrigues Pereira (revista Retrato do Brasil), Altamiro Borges (Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé) e José Augusto Camargo, presidente da entidade.

O motivo do debate foi que a revista Retratos do Brasil trouxe uma série de reportagens, que culminaram na elaboração de um livro e de uma edição especial da publicação, com provas documentais que comprovam que o chamado “mensalão” foi criado através de um conluio entre a mídia privada e o Poder Judiciário e que não houve desvio do dinheiro público.  O episódio se transformou em um “escândalo” contra o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, envolvendo o presidente do PT, José Genoíno, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha e o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, entre outros.

“Há provas de que a Justiça foi pressionada pela grande imprensa para julgar, como em um tribunal de exceção, os réus do “mensalão”. Fizemos matérias sobre as auditorias feitas no Banco do Brasil, que inclusive estão nos autos da Ação Penal 470, demonstrando que a agência de Marcos Valério havia prestado todos os serviços encomendados pelo Banco do Brasil para divulgação da Visanet, então sob a responsabilidade de Pizzolato e que os 73,8 milhões supostamente desviados do banco tinham sido realizados pela agência. Eles tinham os recibos e provas materiais disso. Como o desvio deste dinheiro era a prova básica da existência do mensalão, o pilar da tese é falso”. 

O jornalista Altamiro Borges, o Miro, disse que a imprensa hoje age como um partido político de oposição, que inclusive ignora documentos obtidos pela revista Retratos do Brasil, que estão nos autos da Ação Penal 470 e teve objetivos eleitorais para prejudicar as candidaturas progressistas nas eleições de 2010 e 2012. “O furo dado pela equipe de Raimundo Pereira merece prêmio, mas foi absolutamente ignorado pela grande mídia, assim como aconteceu com o livro privataria tucana. É por isso que se faz urgente a criação de um marco regulatória para a mídia, para que fatos como estes não mais aconteçam”.

 

Foto: André Freire - da esquerda para a direita: Miro, Raimundo e Guto