Falta transparência, sobra intransigência - a opinião do SJSP

 
Mais de três meses depois da data base, jornalistas de jornais e revistas da Capital, Interior e Litoral ainda enfrentam a intransigência dos patrões que insistem em...

 

Mais de três meses depois da data base, jornalistas de jornais e revistas da Capital, Interior e Litoral ainda enfrentam a intransigência dos patrões que insistem em uma proposta econômica inaceitável, com índices que não repõem sequer a inflação. Vivemos novamente uma difícil Campanha Salarial, que exige do Sindicato e da categoria uma demonstração de unidade e participação para garantir avanços.

O mais recente exemplo disso foi o plebiscito realizado na Capital, quando a esmagadora maioria dos jornalistas acatou a posição do SJSP e reprovou a proposta indecorosa que os empresários apresentaram na mesa de negociação.

A grande participação da categoria no plebiscito não deixa dúvida: os jornalistas não admitem ser o alvo de eventual má gestão financeira das empresas – velho discurso para a velha proposta – e ver seu poder de compra cair enquanto os lucros dos patrões continuam a engordar. A resposta que veio das urnas e do voto direto dos jornalistas foi um grande “não”, o que deve obrigar o sindicato patronal a rever conceitos e propostas.

No entanto, além da participação no plebiscito, a categoria precisa estar atenta aos desenrolar da Campanha Salarial, ampliando sua participação nas discussões em redações, acompanhando o noticiário através do site e dos boletins do Sindicato e se engajando de corpo e alma nas ações que visam obter conquistas salariais mais condizentes com o trabalho jornalístico, que é cada vez mais estressante e precisa ser mais reconhecido.

Ao ser entrevistado pelo Unidade, o economista Márcio Pochmman, presidente da Fundação Perseu Abramo, afirmou que, para apresentar índices tão baixos para repor os salários dos jornalistas, os empresários deveriam apresentar seus balanços, abrindo os números de sua contabilidade. Ele acredita que as empresas de Comunicação não podem reclamar da situação, porque não apresentam perdas de receita e que elas continuam com o mesmo faturamento de sua verba publicitária.

Mesmo sem olhar os números, Pochmman acertou na mosca. O que falta é transparência na mesa de negociação. De acordo com a publicação Valor 1000, editada pelo Valor Econômico, as empresas de Comunicação de fato apresentam saúde financeira bastante estável. Se não é tão vigorosa, ao menos elas não têm do que se queixar quanto aos números de 2012. Vamos eles: a editora Globo teve lucro líquido de R$ 2,9 bilhões no ano passado. Já a editora Abril lucrou R$ 64,2 milhões; a editora Saraiva, R$ 7,7 milhões; o jornal O Estado de São Paulo, R$ 38,8 milhões e a Abril Educação, R$ 98,1 milhões.

Em termos de faturamento líquido, os números são ainda mais expressivos. Só para citar algumas: a editora Globo faturou R$ 12,7 bilhões; a Abril, R$ 2,9 bilhões; a editora Saraiva, R$ 2,6 bilhões; a Abril Educação, R$ 883,5 milhões; o Estadão, R$ 714,5, entre outras. Portanto, nada justifica a proposta patronal de reajustes abaixo da inflação.

Além de enfrentar baixos salários, más condições de trabalho, demissões, pejotização, entre outros problemas do dia-a-dia, os jornalistas ainda encaram problemas com a violência policial. Vários profissionais foram detidos e agredidos pela violência gratuita da polícia do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Uma das vítimas da truculência foi o repórter fotográfico Sérgio Silva, que acabou perdendo a visão do olho esquerdo depois de ser atingido por um disparo de bala de borracha, nas manifestações de rua que começaram em maio. A ele, a nossa total solidariedade.

Esse é só um resumo dos desafios que estamos enfrentando. Para encarar e resistir a esses ataques é preciso fortalecer nossa organização a partir das redações e em torno do Sindicato, a principal entidade de defesa dos Jornalistas e do Jornalismo. Em Legítima Defesa, Sindicalize-se!