Estadão demite jornalistas e cria comitê para “supervisionar” conteúdo editorial

Por Redação - SJSP

Os Sindicatos dos Jornalistas Profissionais de São Paulo e do Distrito Federal, além da Fenaj, receberam com muita preocupação a notícia de que o jornal O Estado de S. Paulo dispensou profissionais que trabalhavam na sede da empresa e em suas sucursais. No final de abril, cinco jornalistas foram demitidos, e há a previsão de que mais cinco trabalhadore(a)s serão dispensado(a)s em maio.

Os profissionais demitidos pelo Estadão têm larga experiência jornalística e foram responsáveis por coberturas de grande impacto, como a revelação de que a família Bolsonaro fora presenteada com joias pelo governo da Arábia Saudita, e tentara trazer ilegalmente para o Brasil as peças de valor milionário.

Causa estranheza que essas demissões sejam acompanhadas por uma reestruturação editorial do jornal, que passará a contar com um comitê responsável por supervisionar o conteúdo produzido pelo(a)s profissionais da empresa: a “Governança de Conteúdo e Qualidade”.

Sob a justificativa de que tal comitê prezará pela qualidade dos materiais produzidos, tal projeto da cúpula do Estadão mais parece uma tentativa de cercear a livre apuração de informações e o exercício do trabalho jornalístico, sob a justificativa de “adequação editorial”.

Nossas entidades defendem o direito de consciência, a liberdade de expressão e o exercício da cidadania para todas e todos os jornalistas. Pelo respeito à ética jornalística, à consciência profissional e à liberdade de expressão e de imprensa, reivindicamos o direito das e dos jornalistas de recusar a realização de reportagens e de outros conteúdos que firam o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, violem a sua consciência e contrariem a sua apuração dos fatos.

Por fim, nos solidarizamos integralmente com os profissionais demitidos e permanecemos à disposição para prestar apoio em todos os sentidos, inclusive jurídico. No final do mês de abril, ao tomar conhecimento das demissões, os Sindicatos entraram em contato com a direção da empresa e negociaram a extensão do plano médico, para que ao menos os jornalistas demitidos contem com algum tempo para se planejarem em relação às despesas de saúde. O Estadão também se comprometeu a enviar os termos de rescisão aos sindicatos para a realização da conferência dos valores que os profissionais devem receber.