Empresas querem impor perdas e protelam negociação

Categoria faz reuniões para discutir mobilização; assembleia está marcada para 5 de maio

Por Redação - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Cinco meses após a data-base, as emissoras de rádio e TV de São Paulo protelam para o final de maio o prosseguimento da negociação salarial, após apresentarem uma proposta que impõe graves perdas aos rendimentos dos jornalistas. Nos próximos dias, o Sindicato dos Jornalistas irá conversar com os profissionais – por meio virtual ou presencial – por redação ou empresa, e faremos uma assembleia geral na próxima quarta-feira, 5 de maio. Em pauta, a mobilização da categoria para pressionar as empresas a concederem o reajuste reivindicado.

Propostas em discussão

Em nossa data-base, 1º de dezembro de 2020, a inflação pelo INPC estava em 5,2%. Na última rodada de negociação (11/3), os jornalistas aceitaram parcelar este índice de reajuste de salário e cláusulas econômicas em duas vezes – 3% retroativo a 1º de dezembro e 2,14% em junho –, mantendo-se a PLR segundo a cláusula praticada nos últimos anos (variando de 30% a 45% do salário, dependendo do tamanho da empresa).

Por seu lado, as emissoras vieram decididas a achatar os nossos ganhos, apesar de terem mantido um bom desempenho econômico, com investimentos, em meio à pandemia. Em dezembro, propuseram zero de reajuste, passaram a 2% em janeiro e, em março, propuseram parcelar em 2,25% (a partir de março) e 2% só em outubro (totalizando 4,3%). Quanto à PLR, querem simplesmente retirar da Convenção Coletiva.

Na última rodada de negociação, em 11 de março, os jornalistas apresentaram sua contraproposta. As empresas ficaram de avaliar, e não deram mais resposta. O argumento foi a piora da pandemia e a necessidade de esperar uma melhor definição do cenário econômico. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, frente a isso, defendeu reunir a mesa o quanto antes, pois, quanto mais passa o tempo, mais crescem as dificuldades.

Condições econômicas

O jornalismo brasileiro afirmou-se em plena pandemia. Aterrorizada pela agressiva doença, com o agravante de um presidente que difunde mentiras, agride a imprensa e facilita a propagação do vírus – sendo responsável direto pela calamidade sanitária que atinge o Brasil e por centenas de milhares de mortes decorrentes –, a população brasileira instintivamente buscou, neste último ano, a informação jornalística. Questão de autodefesa frente à covid. Isso se traduziu no crescimento da audiência de rádios, TVs e portais. Mesmo sob impacto da crise econômica, a publicidade manteve resultados aceitáveis, e, por meio de informações públicas, sabemos que grandes empresas se mantiveram lucrativas. O jornalismo ampliou sua presença na grade de programação e sustentou esse resultado.

Em meio à pandemia, os jornalistas permaneceram trabalhando, exercendo sua “atividade essencial”, expondo-se ao vírus, e foi isso o que permitiu às empresas a obtenção de seus resultados financeiros. Agora, a categoria apenas reivindica manter o seu padrão de rendimentos – salário e PLR. Num esforço de negociação, ao aceitar o parcelamento, os jornalistas já abrem mão de parte dos ganhos de 2021.

A inflação continua em alta, corroendo o poder de compra dos assalariados – o INPC já bateu em 6,94%, e continua subindo. Os itens que mais pesam no bolso, como alimentação, aluguéis e transporte, tiveram elevações ainda maiores de custos. Queremos uma negociação justa e imediata, que expresse o reconhecimento por nosso trabalho e seu resultado, inclusive econômico.

Venha para o debate

Nesta difícil situação, os jornalistas têm de conversar sobre as formas de mobilização para ampliar nossa pressão sobre as empresas. Vamos mostrar que nossa categoria não aceita ter os seus rendimentos achatados.

Os diretores do Sindicato estarão disponíveis, na capital e no interior, para organizarmos conversas e reuniões por redação e empresa, para discutirmos a realidade da empresa, as condições de acordo e as propostas de mobilização dos jornalistas.

Entre em contato com o Sindicato para organizarmos essa conversa.

Em 5 de maio, às 11h e às 20h, faremos uma assembleia geral para debater os rumos da campanha salarial. Pode haver sessões da assembleia, no mesmo dia, em regionais do Sindicato.

Participe! Converse com as(os) colegas! Entre em contato com o Sindicato e vamos atrás de nosso reajuste.