Debate em comemoração aos 85 anos do Sindicato reforça importância do papel jornalístico para a sociedade

Guilherme Balza e Mariana Kotscho participaram do debate de 85 anos do Sindicato dos Jornalistas. Na foto, Thiago Tanji (à esquerda) e Cristina Charão (ao centro) compõem a mesa de debateGuilherme Balza e Mariana Kotscho participaram do debate de 85 anos do Sindicato dos Jornalistas. Na foto, Thiago Tanji (à esquerda) e Cristina Charão (ao centro) compõem a mesa de debate

Durante a noite de terça-feira (12), o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) celebrou seus 85 anos reforçando a importância do jornalismo e do trabalho jornalístico para a sociedade com os depoimentos da jornalista Mariana Kotscho e do repórter Guilherme Balza.

“E por mais que apanhe e seja xingado na rua, a gente persiste. A prova de que deve ter algo bom nesta profissão é que a minha família vai para quarta geração de jornalistas. A gente acredita neste jornalismo com função social e que tem missão de salvar vidas, sim, porque com uma matéria ou uma denúncia, a gente pode salvar uma vida”, disse Mariana, que há 12 anos comanda o Papo de Mãe.

Mariana relatou os ataques que sofreu no comando de um programa que une assuntos familiares e jornalismo. Para ela, a categoria sofre seu momento mais difícil e destaca que mulheres jornalistas são ainda mais atacadas. “Os jornalistas, em geral sofrem por ser jornalistas e as mulheres jornalistas sofrem por serem jornalistas e por serem mulheres. É um momento bem difícil que estamos vivendo. Às vezes, a gente cansa e pensa até em desistir”, relatou.

Em seguida, o repórter da GloboNews e diretor do SJSP, Guilherme Balza, contou mais sobre como chegou à história que revelou o escândalo da PreventSenior sobre os kits covid distribuído indiscriminadamente durante a pandemia. As apurações feitas pelo repórter geraram diversas matérias jornalísticas, um documentário em exibição no GloboPlay e foram parar na CPI da covid no Senado. “[O jornalista precisa] Não naturalizar os processos e ter a capacidade de se indignar; ter um desejo de contar direito essa história porque a pandemia foi um grande trauma das gerações que estão vivendo isso e o que estará nos livros de história é o que nós produzimos com o jornalismo”, aconselhou Balza.

O jornalista ressaltou que, mesmo sem ter sofrido graves ameaças após revelar o escândalo da Prevent, passou a se expor menos e a tomar certos cuidados. “Recebi ofensas nas redes sociais e sempre achei que meu telefone estava grampeado, mas tem a questão de ser homem e o nível de ameaças é diferente. Claro, homens também sofrem ameaça de morte, mas a agressividade contra a mulher é maior pelo machismo estrutural”, concluiu. Para ele, o fato de as grandes redes de ódio não terem se mobilizado em favor da Prevent contribuiu para que ele não tivesse sofrido represálias ainda maiores.

Para Guilherme Balza, jornalistas podem salvar vidas, mas para tanto é preciso que cada profissional se questione individualmente a respeito do trabalho que desenvolve. “A gente tem sempre que se fazer a pergunta se o nosso trabalho enfrenta questões estruturais do país, se está posicionado e preocupado com quem mais precisa. Mas acho que sim, nessa pandemia, o trabalho do jornalista foi fundamental para que não houvesse, por exemplo, um milhão de mortos”, disse.

Homenagem aos 85 anos

O presidente do SJSP, Thiago Tanji, iniciou o evento relembrando os mais de dois anos em que o Sindicato permaneceu sem atendimento presencial devido a pandemia, que ainda não acabou. “Dependendo da perspectiva histórica, dois anos pode ser pouco tempo ou muito tempo, mas acredito que estes dois anos não sairão tão cedo das nossas memórias e jamais serão esquecidos, sobretudo para os familiares e amigos, companheiros e companheiras de mais de 650 mil brasileiros e brasileiras que não estão aqui conosco por causa das ações e omissões criminosas e genocidas do governo Bolsonaro e seus cúmplices. Que as vítimas da pandemia jamais sejam esquecidas e os responsáveis por esse desastre sanitário, social e econômicos sejam devidamente punidos. E punidos não apenas pela história, mas que paguem por tudo que cometeram em um espaço de tempo bastante breve”, disse.

Em seu discurso pelos 85 anos da entidade, Tanji lembrou que o Sindicato é um espaço histórico, de luta, debates e, principalmente, de intransigente defesa à democracia e os direitos dos jornalistas. “Nos últimos dois anos, a nossa profissão passou por um verdadeiro resgate de autoestima porque foi a nossa atuação que amenizou parte da tragédia provocada pelo Governo Bolsonaro durante a pandemia. Foi a nossa resistência diária que permitiu divulgar e fazer circular informações essenciais, mesmo diante de ataques, ameaças e agressões físicas, virtuais e de qualquer tipo. E foi a nossa disposição de lutar, se unir e se entender como classe trabalhadora que possibilitou a resistência mesmo durante a pandemia para garantir direitos e lutar por salários e dignidade”, reiterou.

O presidente do SJSP relembrou a união e luta histórica dos jornalistas que garantiram reposição salarial em 2021 e ressaltou a disposição e luta de toda a categoria, que está em campanha salarial em diversos segmentos. “Dia após dia temos mais certeza que salvamos vidas na pandemia, defendemos a democracia diante do obscurantismo bolsonarista e fazemos a diferença na permanente luta de uma nova sociedade”, concluiu Tanji.

Os presentes fizeram parte do debate, formulando perguntas e provocações aos jornalistas. Para assistir o debate completo, clique aqui.

Confira a galeria de fotos do evento.

Para encerrar o encontro, o SJSP transmitiu o vídeo de 85 anos do Sindicato.