Com ações na porta das empresas, Sindicato cobra reposição da inflação no salário dos jornalistas em rádio e TV

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas de SP

“Diante da inflexibilidade das empresas em negociar, do posicionamento da categoria de considerar o reajuste de 5,5% completamente insuficiente e respaldado por uma assembleia de 200 jornalistas, o Sindicato deliberou por dar algumas respostas criativas que mostrem pelo que estamos lutando. A gente tem que trazer criatividade e alegria, mesmo em momentos difíceis. E fazer esse barulho na porta das empresas demonstra para a categoria que a nossa entidade está falando sobre o sentimento que está dentro das redações e vai lutar pela reposição salarial e a volta da PLR. Não dá para aceitar perdas nos nossos salários”, argumentou o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Thiago Tanji.

A resposta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) citada por Tanji envolve uma série de ações nas ruas e nas redes pela Campanha Salarial de Rádio e TV.

Há cinco meses em campanha, os patrões insistem em oferecer metade da inflação do período – 5,5% frente a uma inflação de 10,96% - e não querem negociar a volta da PLR na Convenção Coletiva.

“Os jornalistas pontuaram na assembleia que seria importante colocar, de forma didática, as perdas que a proposta patronal impõe aos salários e fizemos isso, o que foi importante. Os murais e toda a comunicação em nossas redes, além das mobilizações, que englobaram o dia do veste preto para a categoria mostrar essa união diante das empresas e o tuitaço no último dia 3, que é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, também tiveram um repercussão muito boa”, avaliou o presidente do SJSP.

Para ele, as ações da campanha não são meramente simbólicas e vão continuar até que a categoria conquistar o pleito da reposição pela inflação de 10,96%. “A gente insiste e aguarda que as empresas respondam com uma nova proposta que atinja a inflação para, dessa maneira, encerrar a campanha salarial, mas enquanto as empresas não respondem, vamos aumentar a luta e o recado de que 5,5% é impossível de aceitar”, concluiu o jornalista.

Calendário de luta
O calendário de lutas pela campanha salarial de Rádio e TV teve início na última quinta-feira (28). Munidos de alegria e garra de lutar, a diretoria do Sindicato esteve em frente da TV Globo com o Bloco da Reposição e o estandarte pelo reajuste salarial de 10,96%.

Durante a ação, o diretor do SJSP, José Eduardo Sousa, lembrou que as empresas ofereceram zero de reajuste no início da campanha salarial. Já a secretária-geral do SJSP, Candida Vieira, destacou a retirada da PLR da Convenção anterior se deu para preservar os demais direitos e reitera que o reajuste reivindicado pelos jornalistas já não repõe as perdas acumuladas com a atual inflação. Para o membro do conselho fiscal, Norian Segatto, a inflação está doendo na pele e no bolso dos jornalistas. “O pleito da categoria é justo, digno e merecido”, reiterou Segatto.

A secretária do interior, Solange Santana, reforçou a intransigência patronal diante do arrocho salarial provocada pela inflação em contraposição aos ganhos das emissoras com anúncios e programas televisivos de grande audiência.  “Os trabalhadores não têm de onde tirar, mas as empresas têm com a lucratividade. A gente sabe do lucro da TV Globo com o Big Brother e com os anúncios. O setor de rádio e TV passou a pandemia no bem bom sem os prejuízos sofridos pelos trabalhadores”, argumentou.

No domingo, 1º de maio, o Sindicato levou a faixa com a reivindicação dos jornalistas em rádio e TV para o ato das centrais sindicais na Praça Charles Miller, em São Paulo.

Já nesta terça-feira, 3 de maio – Dia da Liberdade de Imprensa, o SJSP uniu ação nas ruas e nas redes. Além de convocar a categoria a se vestir de preto pelo reajuste pela inflação e mostrar sua união e força nas redações enquanto passou pela porta da TV Record, em São Paulo, e do Grupo Tribuna, em Santos, o Sindicato ocupou as redes com o tuitaço Jornalistas Salvam Vidas. Emissoras? Paguem as(os) jornalistas!.

Com a #JornalistasPorSalárioseRespeito, a luta da categoria recebeu o apoio de parlamentares, influenciadores e jornalistas, como Fenaj, CTB, Barão de Itararé, CUT São Paulo, Parem as Máquinas, Juliana Cardoso, PCdoB São Paulo, Paulo Fiorilo, Guilherme Balza e a categoria que participou e interagiu durante a ação nas redes.