Cojira SP lamenta morte do grande cantor e militante negro Estevão Maya Maya

Por Cojira SP - Comissão de Jornalistas de Igualdade Racial

                                                                                            

 

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial - Cojira/SP, órgão do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, lamenta o falecimento, na sexta-feira (17/09), de Estevão Maya Maya, maestro, cantor, poeta, ator, autor teatral, professor e ativista histórico do movimento negro. Vítima de complicações causadas pela Covid 19, Maya Maya estava  internado há 13 dias no Hospital das Clínicas,  em São Paulo.

Por intermédio de seu grande  amigo, o jornalista, escritor  e ator  Oswaldo Faustino, Esgtevão Maya Maya tornou-se  parceiro da Cojira SP na organização de uma exposição de  jornais da imprensa negra, pertencentes à  coleção de José Correia Leite,  realizada em novembro de 2011 na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Nascido em Pano Grosso Viana, no Maranhão, em 1943, também foi muito amigo e discípulo do famoso militante José Benedito Correia Leite, um dos fundadores da Frente Negra Brasileira, na década de 1930, além de outras entidades, como a Associação Cultural do Negro. Com o apoio de Correia, o discípulo fundou nos anos de 1980, no bairro do Ipiranga, uma entidade voltada à militância negra intitulada Casa de Cultura e Progresso - Cacupro. 

Maya Maya figura também entre os grandes nomes da cultura brasileira, com mais de 50 anos de atividade na música, teatro e literatura. Bacharel pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), partiu para o Rio de Janeiro em plena década de 60, envolvendo-se com a militância que resistia à ditadura militar. Nos anos 80,  destacou-se com o coral de homens negros Cantafro. Já conceituado na música popular e erudita, se aventurou na literatura, tornando-se autor de Regresso triunfal de Cruz e Sousa,  Os segredos de seu Bita da-nó-em-pingo-d’água e Do país do saque tudo à terra onde os mortos falam, entre outras obras e textos publicados.

No teatro, esteve nas primeiras montagens brasileiras de musicais como Jesus Cristo Superstar e Hair, sendo ainda co-autor do musical Terra nossa ou Dama-valete-rei d’espadas e da Ópera afro-brasileira Ongira: grito africano.  Divorciado, Estevão Maya Maya deixa duas filhas: Jamila Maia e Naila Maia.

 

 

atualizado em 18 de setembro de 2021 às 12h17