Incoerência e falta de vergonha das grandes redes de comunicação!

Carta aberta dos jornalistas de rádio e TV no Município do Rio de Janeiro e do Estado de São Paulo

Por Redação - SJSP

Jornalistas do município do Rio de Janeiro e do estado de São Paulo unificam a luta pela recomposição por salários, por direitos e por dignidade em campanha salarial de rádio e TV! Em 7 de junho, Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, jornalistas que trabalham nas emissoras de rádio e de televisão do município do Rio de Janeiro e do estado de São Paulo realizaram uma assembleia histórica com cerca de 200 profissionais. Por unanimidade, as e os jornalistas aprovaram um calendário de mobilizações conjuntas e a divulgação de uma carta aberta da categoria:

No momento em que o Jornal Nacional exibiu uma longa reportagem especial, de cerca de dez minutos, no Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, 7 de junho, para defender a liberdade de expressão, valorizando inclusive o trabalho dos jornalistas da emissora, profissionais do Rio de Janeiro e de São Paulo estavam conectados em uma grande assembleia para reivindicar salários dignos. Há meses a categoria luta para arrancar das grandes redes de TV e Rádio o reajuste dos salários pela inflação, de 10,6% no Rio de Janeiro e 10,96% em São Paulo.

Apesar de Rádio e TV ser o segmento da Comunicação que melhor passou pela pandemia, com milhões de pessoas ligando os televisores e os rádios, os empresários do setor iniciaram as negociações com os sindicatos de trabalhadores oferecendo recomposições salariais que estão longe de atingirem a inflação, que segue em disparada. Após alguns meses de pressão, aumentaram a oferta para 5,5% em São Paulo, apenas a metade da inflação registrada pelo INPC. Depois subiram a proposta para 6,5%, mas em duas parcelas e só para o Rio de Janeiro.

As empresas de comunicação exercem uma prática no mínimo contraditória. Para a população brasileira, para o público em geral, enaltecem seus profissionais, valorizam os trabalhos dos jornalistas, elogiam a coragem para informar, mostram como a democracia depende da informação de qualidade, do poder de se transmitir fatos sem censura, sem constrangimento, sem pressão.

Mas por dentro, no interior das redações ou nas mesas de negociações entre patrões e empregados, os empresários negam o mínimo: um salário que dê liberdade para o (a) jornalista poder alimentar sua família, dê liberdade para poder sustentar os filhos na escola, pagar transporte, alugar uma moradia digna e outros serviços essenciais.

A verdade é que atualmente os jornalistas da Rede Globo, SBT, Record, Bandeirantes, RedeTV! e demais empresas não valem nem a inflação! As emissoras que tanto valorizam seus profissionais nos telejornais para a população estão demitindo, achatando salários, desvalorizando seus trabalhadores e ampliando a precarização do trabalho jornalístico.

Não falta dinheiro, falta vergonha na cara. A Globo, uma das poucas que abrem as contas, teve um faturamento no primeiro trimestre deste ano de R$ 3,274 bilhões e um lucro de R$ 611 milhões, o maior desde 2017. Só com BBB, a Globo fatura R$ 700 milhões e paga mais da metade dos salários do Jornalismo.

O Grupo Silvio Santos fatura mais de R$ 12 milhões por ano apenas com a Tele Sena. Projeta faturar milhões com a transmissão da Champions League até 2024.

A Band vai ganhar mais de R$ 100 milhões com a Fórmula 1 em 2022, R$ 46 milhões com o Faustão em “merchans” e comerciais.

A Record tem um patrimônio avaliado em mais de R$ 5 bilhões. O grupo empresarial tem até um banco! E planeja lucrar R$ 240 milhões por ano até 2025 com a transmissão do Paulistão. Recebeu R$ 53 milhões da Presidência da República somente no ano passado.

Por tudo isso, as grandes redes deveriam se sentir no mínimo constrangidas com a maneira como tratam seus jornalistas e suas famílias.

Já passou da hora de a Globo e as demais colocarem em prática o que exibem nos telejornais.

A reportagem especial mostrada no Jornal Nacional no Dia Nacional da Imprensa, 7 de junho, em defesa e pelo valor da liberdade de comunicação, começou com um minuto de silêncio dos apresentadores Heraldo Pereira e Renata Vasconcellos, dois jornalistas que dão voz às notícias. Aos 23 segundos, um lettering criado e feito por outros jornalistas estampou: “O SILÊNCIO INCOMODA”. Em seguida outro lettering: “DIA NACIONAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA”. E o início silencioso finalizou com uma última frase: “O CAMINHO DA DEMOCRACIA É A INFORMAÇÃO”. Informação essa apurada, escrita e transmitida por jornalistas!