Carreata reúne trabalhadores contra o fechamento da fábrica da Ford em Taubaté

Em ato, trabalhadores demonstram apoio a decisão da juíza Andréia de Oliveira que proíbe demissões sem negociação coletiva. Impacto econômico pode chegar a 93 milhões de reais

Por Redação - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Os trabalhadores da fábrica da Ford em Taubaté realizaram ato em defesa de seus postos de trabalho na manhã de sexta-feira (12). Esta foi a segunda carreata a reunir aproximadamente 300 veículos de empregados e apoiadores, chamada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté (Sindmetau). O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) esteve presente em apoio ao ato, junto com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais entidades de classe. A carreata saiu do estacionamento da fábrica e circulou pelo centro de Taubaté por quase 3 horas.

Na última semana (5), a juiza da 2ª Vara do Trabalho de Taubaté Andréia de Oliveira proibiu a demissão dos trabalhadores da montadora sem negociação de acordo coletivo junto ao sindicato da categoria. Obrigou ainda a empresa a manter os salários e a remuneração dos empregados afastados enquanto a negociação estiver em curso, tendo em vista o impacto econômico gerado pelo encerramento das atividades da montadora. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a cidade pode perder perto de 93 milhões de reais por ano com o encerramento das atividades da planta de Taubaté. 

Pressão contra os trabalhadores

A montadora enviou telegrama a cerca de 40 trabalhadores pedindo o retorno ao trabalho. As mensagens foram remetidas para empregados da fábrica de Taubaté (SP) e de Camaçari (BA). O objetivo da montadora foi convocar os trabalhadores para retomar parte da produção de peças das duas plantas, voltada para o mercado interno. A Ford ainda recorreu da decisão da juíza. A montadora alegou que as entidades sindicais estavam impedindo a volta dos empregados ao trabalho.

O diretor sindical Sinvaldo dos Santos contesta a posição da empresa. “A fábrica alegou que nós do sindicato estamos impedindo a entrada dos trabalhadores, o que é uma inverdade. Em momento algum nós impedimos que os trabalhadores entrassem. Quem disse que ia fechar imediatamente, que ia deixar de produzir imediatamente foi a Ford, não o sindicato.”

O presidente do Sindmetau, Claudio Batista da Silva ressalta que a decisão da assembleia continua sendo seguida pelos empregados. “A gente continua com a manutenção daqueles trabalhadores que foram definidos que estariam cuidando e zelando do patrimônio para quando a gente voltar a trabalhar a fábrica esteja em ordem produzindo”.

Fim da Ford

No dia 11 de janeiro a Ford anunciou o encerramento das atividades da montadora no país, decisão que pode acarretar no fechamento de até 120 mil postos de trabalho.

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