Assembleias definem próximos passos da campanha salarial de rádio e tv

Sindicato dos Jornalistas espera aglutinar categoria para somar força pela reposição da inflação

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Para ouvir e motivar a participação da categoria na campanha salarial de rádio e tv 2020-2021, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) realizará assembleias por redação entre hoje (2) e a próxima segunda-feira (8). O objetivo é ampliar a participação dos jornalistas na assembleia geral da próxima terça (9), que conta com sessões virtuais às 11h e às 20h.

Após quatro rodadas de negociação, os patrões insistem no fim da PLR e no reajuste abaixo da inflação. As empresas oferecem apenas 2% pagos a partir do mês seguinte do fechamento do acordo, mas a inflação do período ficou em 5,2%. Ou seja, a categoria não só sofrerá com a falta da recomposição salarial como não receberá de forma retroativa à data-base, que é 1º de dezembro.

O presidente do SJSP, Paulo Zocchi, frisou que as empresas de TV e rádio atravessaram a pandemia mantendo um desempenho econômico razoável além de desfrutar de desoneração tributária, redução de custos com salários e estrutura, autorização para retomar sorteios e receber injeção de recursos oficiais enquanto a categoria foi submetida à redução salarial autorizada por Medida Provisória, correu o risco de contaminação no exercício profissional e mantiveram a atividade jornalística, que gerou audiência para as empresas. “O mínimo que os jornalistas podem ter agora, como reconhecimento e justiça, é a recomposição dos salários pela inflação e a manutenção da PLR”, conclui.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) variou 0,78% somente no primeiro mês de 2021. O resultado é o maior para janeiro desde 2016, de acordo com o IBGE. Nove itens impactaram na alta da inflação (veja quadro ao lado) em janeiro de 2021, com destaque para itens de alimentação e bebidas e habitação.

A direção do Sindicato realizará assembleias nas redações da capital, interior e litoral. A próxima mesa de negociação está marcada para quarta-feira (10). "É fundamental a presença maciça na assembleia de jornalistas das redações do Estado todo, para podermos debater os rumos da campanha salarial e as formas de mobilização possíveis para a categoria agora. A categoria precisa somar forças para chegarmos a bom termo na campanha", disse Zocchi.

Campanha 2020-2021

A pauta de reivindicação da categoria foi encaminhada para o sindicato patronal no mês de outubro de 2020 e, desde dezembro, houve quatro rodadas de negociação. Além de reivindicar a reposição da inflação, os jornalistas pleiteavam um ganho real de 4,5% por perdas salariais entre 2015 e 2017.

Na primeira rodada, os patrões propuseram zero de reajuste e se recusaram a pagar a PLR, alegando não ter como oferecer nada. As empresas ainda se negaram a negociar as cláusulas sociais pautadas pela categoria, como a cláusula de teletrabalho e da escala. Na assembleia dos jornalistas, a categoria rejeitou em absoluto a proposta das empresas.

Diante da recusa da categoria, os patrões ofereceram, a partir da segunda rodada, 2% de reajuste sem retroativos e insistiram no não pagamento da PLR. Mais uma vez a categoria rechaçou a proposta, especialmente diante da denúncia de que a Globo recomendou que os jornalistas da empresa aprovassem a proposta de 2% de reajuste para a categoria já que a empresa estava disposta a pagar os 5,2% aos seus empregados. Na contraproposta, os jornalistas renunciaram ao ganho real e a recuperação salarial de anos anteriores para insistir na reposição da inflação retroativo à data-base.

Desde então, as empresas insistem na mesma proposta, que será novamente levada à categoria nas assembleias desta semana. O debate entre os profissionais determinará os próximos passos da campanha.