A Campanha Salarial e as eleições - a opinião do Sindicato

A profissão de jornalista apresenta peculiaridades que não se encontram em nenhuma outra. Está no “olho do furacão” de onde ocorrem os fatos, estando sujeita a toda a...

A profissão de jornalista apresenta peculiaridades que não se encontram em nenhuma outra. Está no “olho do furacão” de onde ocorrem os fatos, estando sujeita a toda a espécie de pressões e perigos que o exercício dela já traz implícita.
O profissional pode estar na mais violenta região da periferia de uma cidade, como adentrar os cintilantes palácios de governo, onde o luxo é destinado apenas aos governantes.
Mas, na hora de reajustar os salários da categoria, como acontece agora na Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital, Interior e Litoral, além de Assessoria de Imprensa e Internet, os patrões esquecem questões como periculosidade, empenho, dedicação e costumam  negar qualquer benefício aos trabalhadores. Em hipótese alguma  pensam em reduzir seus lucros  e ganhar um pouco menos para os que produzem possam ganhar um pouco mais.
O dono da Rede Brasil Sul (RBS), por exemplo, que detém um conglomerado midiático da região Sul do país, anunciou, sem nenhum constrangimento, a demissão de 130 trabalhadores como se isso fosse um ato de “modernidade” e “desapego”.
Empresários como ele, aqui em São Paulo, estão apresentando na mesa de negociação a menor proposta possível, nunca contemplando as legítimas reivindicações da categoria.
O Sindicato conseguiu, no mês passado, impedir quase uma centena de demissões na editora Abril.
Também através de ação da Fenaj, os jornalistas puderam comemorar mais uma vitória na luta pela exigência do diploma em jornalismo para o exercício da profissão. O Conselho de Comunicação Social do Congresso deu parecer favorável à matéria, o que facilitará seu trâmite na Casa.
No mercado, há ainda chances de trabalho nas campanhas eleitorais. Algumas chegam a render boa remuneração.
Os jornalistas vendem sua força de trabalho nas campanhas  eleitorais, mas não necessariamente votam nos candidatos dos empresários. Se o bom senso prevalecer, vão optar por candidaturas comprometidas com as lutas dos trabalhadores. Essa é uma formas de protestar contra empresários que negam salários dignos, que demitem e que resistem em conceder o justo aumento real, como reivindica a categoria.
É por isso que, mais do que nunca,  a luta por melhores salários e condições de trabalho requer o empenho de todos na Campanha Salarial . E o voto consciente também precisa estar na pauta dos jornalistas.