Trabalhadores lutam contra demissões na Editora Abril

Jornalistas, gráficos e administrativos protestaram em frente ao prédio empresa na Freguesia do Ó, zona oeste da capital paulista

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Concentradas em frente à portaria da Abril, as categorias reivindicaram a reintegração dos demitidos. Fotos: Flaviana Serafim/SJSPConcentradas em frente à portaria da Abril, as categorias reivindicaram a reintegração dos demitidos. Fotos: Flaviana Serafim/SJSPOs jornalistas, gráficos e administrativos da Editora Abril fizeram um protesto nesta sexta-feira (10) contra as demissões em massa realizadas pela empresa desde o início da semana. A manifestação ocorreu no começo da tarde, em frente ao prédio da empresa na Freguesia do Ó, próximo da Marginal Tietê, na zona oeste paulistana, durante a troca de turno dos trabalhadores e trabalhadoras.

Concentrados na portaria da Abril, as categorias reivindicaram a imediata reintregração dos demitidos, bem como a garantia plena de direitos trabalhistas que a empresa insiste em desrespeitar. Além da demissão coletiva sem diálogo e negociação prévia com os sindicatos que representam os trabalhadores, a empresa pretende parcelar as verbas rescisórias em dez vezes, uma medida ilegal por contrariar o que estabelece a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT.

Considerando apenas os jornalistas, foram cerca de 150 demitidos pela editora em uma semana, além de cerca de 300 gráficos e de 200 a 300 administrativos. Segundo os sindicalistas, não é possível saber o número exato de demissões, pois a “reforma” da CLT acabou com a obrigatoriedade da homologação das rescisões dos contratos de trabalho nos sindicatos.

A Abril ainda fechou diversas publicações, inclusive o Guia do Estudante que, em nota oficial divulgada em 6 de agosto, a empresa afirmou que manteria, concentrando “seus recursos humanos e técnicos em suas marcas líderes”.

“Nem os trabalhadores nem os sindicatos podem aceitar essa situação de destruição da empresa, de demissão, de redução do emprego e, o pior, a Abril, que é uma editora de donos bilionários, não paga os direitos trabalhistas. Isso é um desrespeito total. Três dias antes das demissões começarem, a direção do Sindicato se reuniu com a empresa, e o RH da editora garantiu que não haveria nenhuma demissão”, criticou Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP).

Devido a demissões em massa realizadas em dezembro de 2017, a editora responde a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Por isso, na tarde da última segunda-feira (6), o Sindicato dos Jornalistas entrou com pedido de antecipação de tutela para reverter as demissões realizadas nesta semana.

Os sindicatos dos Gráficos e dos Administrativos também estão tomando as medidas legais cabíveis, e os profissionais das três categorias vão manter a unidade na luta contra as demissões.

Dia do Basta

A mobilização fez parte do Dia do Basta, promovido neste 10 de agosto pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) em conjunto com outras centrais sindicais em protesto contra o desemprego, a retirada de direitos trabalhistas e as privatizações no país.

“Da mesmo forma que nós queremos revogar as demissões, queremos derrubar a reforma trabalhista lutando pela democracia, pois não são com esses candidatos que estão aí que vamos revogar a reforma da CLT”, disse o presidente do SJSP.

O ato público organizado pelo SJSP e pelos sindicatos dos gráficos e dos administrativos de São Paulo também contou com apoio dos sindicatos dos Gráficos de Bauru, dos Gráficos de Jundiaí e Região, e dos Radialistas de SP.