Trabalhadores do RAC entram em greve na quarta-feira (14)

Atraso salarial é de quase três meses na Rede Anhanguera de Comunicação, que publica o Correio Popular, de Campinas, e profissionais decidem novamente cruzar os braços em protesto

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Há quase três meses com salários em atraso, os jornalistas, gráficos e administrativos da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), de Campinas, entram  em greve na quarta-feira (14).

A decisão foi deliberada pelos trabalhadores, em assembleia realizada no último dia 7, e o aviso da paralisação foi encaminhado à empresa pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). No último dia 2 de fevereiro, a rede informou que faria o pagamento referente ao adiantamento salarial de novembro do ano passado, mas os depósitos não foram feitos.

Nesta sexta-feira (9), depois de receber o aviso da greve, a RAC comunicou que o pagamento pendente será realizado na próxima semana, mas não informou em qual data. No comunicado enviado aos trabalhadores, a empresa promete quitar o valor devido de novembro e pagar metade do salário de dezembro de 2017 até o próximo 23 de fevereiro.

A RAC, responsável pelo jornal Correio Popular, entre outras publicações, tem atrasado há dois anos o pagamento de salários e benefícios. Contudo, a crise tem se aprofundado a cada mês e, diante do agravamento do quadro, a decisão por uma nova greve unificada dos trabalhadores e trabalhadoras foi a única alternativa para pressionar a rede.

Os profissionais já haviam cruzado os braços em outras ocasiões devido aos constantes atrasos e, após uma paralisação em junho de 2017, a mobilização organizada das categorias arrancou um acordo judicial, firmado no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Na sentença, foi definido que a empresa deveria fazer pagamentos semanais equivalentes a 25% do salário mensal, com calendário para quitação dos débitos. Contudo, a RAC segue descumprindo o acordo.

Crise aumenta e provoca adoecimento na redação

Segundo apuração do SJSP, a piora da situação nos últimos meses agrava as dificuldades financeiras vividas pelos jornalistas e, na redação, o quadro tem provocado estresse, depressão e outras formas de adoecimento.

Outra denúncia dos profissionais apurada pelo Sindicato é que a direção da empresa só dialoga quando procurada e nunca apresenta soluções concretas para resolver o problema. Além disso, em diversas ocasiões, os jornalistas enfrentam assédio na redação porque os representantes da RAC afirmam que a crise é culpa dos profissionais por entrarem em greve pela falta de pagamentos.

Assim como os salários, os pagamentos dos vales refeição e alimentação, que deveriam ser feitos semanalmente como no caso dos salários, também estão irregulares e há um outro débito acumulado de seis meses de benefícios devidos às categorias. Os profissionais da RAC não receberam ainda o 13º salário do ano passado e o adicional de um terço não está sendo pago aos trabalhadores que entram em férias. 

Vale lembrar que as categorias vêm sendo prejudicadas de outras formas pela rede, pois os depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) estão irregulares e o problema já fez com que a empresa fosse multada pelo Ministério do Trabalho. Vários profissionais também já caíram a malha fina, pois, apesar de descontado em folha, o Imposto de Renda foi recolhido, mas não foi repassado à Receita Federal.