Todo Dia: jornal atrasa salários e pune greve demitindo editor

Direção do jornal está descumprindo acordo judicial para quitação dos salários e avisou que não vai pagar 13º neste ano; atrasos frequentes ocorrem desde 2015

Por Flaviana Serafim

Os jornalistas do TodoDia, de Americana, fizeram greve no último dia 8 (sexta-feira) em protesto contra mais um atraso no pagamento de salários, apesar de acordo judicial homologado no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª região com o compromisso de que o jornal não quitaria os débitos. A direção da empresa também comunicou que não vai pagar o 13º salário deste ano.

A mobilização dos profissionais foi espontânea, pois desde 2015 os atrasos se tornaram frequentes. Depois que os jornalistas voltaram ao trabalho, após um único dia de braços cruzados, a direção do jornal demitiu na segunda-feira (11) um editor em retaliação ao movimento paredista, alegando que o jornalista tinha “cargo de confiança”.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) está tomando as medidas judiciais cabíveis para exigir que a empresa cumpra o acordo e segue apoiando a luta dos trabalhadores e trabalhadoras pelo pagamento dos salários. Na segunda-feira (18), o Sindicato também vai se reunir com a direção do jornal para tratar do pagamento do 13º. 

Em protesto, os jornalistas também divulgaram o manifesto abaixo:

"TODODIA descumpre acordo judicial, não paga e jornalistas param

 Os jornalistas do TODODIA paralisaram suas atividades nesta sexta-feira (8/12). O motivo é que a empresa atrasou novamente o pagamento dos salários, descumprindo acordo judicial, e comunicou que não vai depositar o 13° salário neste ano.

Os salários na empresa começaram a atrasar de forma sistemática em 2015. Não havia qualquer cronograma ou aviso de pagamentos, e os atrasos superavam 30 dias. Em maio de 2017, os jornalistas, após tentativas infrutíferas de negociação interna, publicaram edital de greve, o que levou a direção da empresa a propor acordo de pagamento dos valores atrasados e a estabelecer um cronograma para depositar os próximos salários. O acordo foi aceito pelos jornalistas e ratificado pela Justiça do Trabalho. Os jornalistas deveriam receber o salário mensal em duas vezes, 60% no quinto dia útil e o restante no dia 20. No trato referendado pela Justiça, ficou estabelecido que o pagamento do quinto dia útil deve ser feito até o dia 20 do mesmo mês e o depósito referente ao dia 20, até o quinto dia útil do mês subsequente. 

O acerto vinha sendo cumprido até novembro, quando a empresa não fez o depósito no dia 20. O pagamento referente a esta data foi dividido em três vezes, sendo quitado para alguns jornalistas no dia 28 e para outros no dia 30, desrespeitando o acordo judicial firmado na Justiça do Trabalho de Campinas, que prevê multa diária em caso de descumprimento – o Sindicato dos Jornalistas está acionando a Justiça para que a empresa cumpra o acordo.   

Paralelamente, a empresa comunicou, ainda em novembro, que não pagaria o 13° salário em 2017, e que iria tentar parcelá-lo durante o decorrer de 2018, sem propor qualquer cronograma. 

Em dezembro, a empresa voltou a descumprir o acordo judicial. O pagamento referente ao quinto dia útil não foi feito, e na quinta-feira (7/12) foram depositados apenas R$ 400 para cada jornalista. 

A empresa tem alegado problemas financeiros desde o início dos atrasos, em 2015. Em junho de 2017, houve mudanças na diretoria, e a nova gestão anunciou  que o jornal era viável economicamente. A paralisação desta sexta é um aviso de que os jornalistas do TODODIA não aceitam receber o salário fora das datas estipuladas, não aceitam receber o 13° salário atrasado, e nunca vão achar normal que uma empresa não cumpra seu compromisso básico, que é pagar em dia os funcionários"