Sindicato está ao lado dos grevistas e não aceita demissões

 
 
A redação da revista Caros Amigos declarou greve na sexta-feira (8 de março) contra a precarização total das condições de trabalho. Não bastasse os jornalistas...

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A redação da revista Caros Amigos declarou greve na sexta-feira (8 de março) contra a precarização total das condições de trabalho. Não bastasse os jornalistas não terem registro em carteira, a empresa anunciou a determinação de cortar pela metade os gastos com os jornalistas. 

Tão logo soube do movimento, o Sindicato dos Jornalistas entrou em contato com os grevistas para dar todo o apoio à greve, em busca da formalização dos vínculos trabalhistas e da manutenção do emprego.

Nesta segunda-feira, a direção da empresa reagiu de forma brutal ao movimento, anunciando a disposição de demitir a redação toda. A diretoria do Sindicato dos Jornalistas considera que a tentativa de demissão não deve ser aceita, e está ao lado dos grevistas na defesa de suas reivindicações. Abaixo, reproduzimos a nota na qual a redação anunciou sua entrada em greve.

 

REDAÇÃO DA CAROS AMIGOS ESTÁ EM GREVE CONTRA A PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO

 

Nós, integrantes da equipe de redação da revista Caros Amigos, responsáveis diretos pela publicação da edição mensal, o site Caros Amigos e as edições especiais e encartes da Editora Casa Amarela, denunciamos a crescente precarização das nossas condições de trabalho, seja pela ausência de registro na carteira profissional, o não recolhimento das contribuições do FGTS e do INSS, e, agora, o agravamento da situação pela ameaça concreta de corte da folha salarial em 50%, com a demissão de boa parte da equipe.

No dia 4 de março, o diretor-geral da editora, Wagner Nabuco, comunicou aos integrantes da redação (jornalistas e designers gráficos) que a partir do dia 1º de abril haverá um corte na folha salarial da redação de 50%, que passará de um total de R$32.000,00 para R$16.000,00. Ele justificou a drástica medida devido ao pagamento de dívidas fiscais acumuladas desde o ano 2000 e ao déficit operacional entre receitas da editora e custos fixos, incluindo os nossos (baixos) salários.

Tendo em vista que a redação já trabalha com equipe bastante reduzida – um total de 11 profissionais –, o corte proposto pelo diretor-geral significa na prática manter os serviços editoriais com uma equipe fixa de cinco (5) ou seis (6) pessoas – com evidente aumento de trabalho sem compensação salarial. Significa também a demissão de vários jornalistas que têm se dedicado a dar sustentação ao projeto editorial da Caros Amigos, que é reconhecido publicamente como uma referência positiva de jornalismo crítico e independente em relação ao jogo do mercado.

O diretor-geral argumentou que vai procurar abastecer o material jornalístico da editora com a utilização de serviços de free-lancers, o que significa, na prática, aprofundar a precarização do mercado de trabalho e manter o esquema de sonegação das contribuições sociais para a Previdência.

Por não concordarmos com tais medidas que aviltam ainda mais as relações de trabalho, e por sentirmo-nos desrespeitados na nossa condição de trabalhadores, cidadãos e jornalistas, denunciamos esse terrível golpe contra a redação da revista e nos declaramos em greve, na expectativa de que essa situação possa ser revertida.

Lamentamos profundamente que essa crise provocada pela direção venha causar sérios prejuízos ao projeto editorial da Caros Amigos, que tem contado com a simpatia e apoio dos setores progressistas e de esquerda da sociedade.

 

São Paulo, 8 de março de 2013.

 

01 - Alexandre Bazzan

 

02 - Caio Zinet

 

03 - Cecília Luedemann

 

04 - Débora Prado

 

05 - Eliane Parmezani

 

06 - Gabriela Moncau

 

07 - Gilberto Breyne

 

08 - Hamilton Octavio de Souza

 

09 - Otávio Nagoya

 

10 – Paula Salati

 

11 - Ricardo Palamartchuk