São Paulo tem multidão nas ruas em atos por todo estado

Sindicato dos Jornalistas SP e a Fenaj estiveram presentes nos atos contra os cortes na Educação Pública e a reforma da Previdência em diversas cidades do estado

Por Rafael Silva - CUT São Paulo, com colaboração dos sindicatos CUTistas

As ruas de São Paulo foram tomadas por trabalhadores e estudantes nesta quarta-feira, 15 de maio, dia de Greve Nacional da Educação. Os participantes manifestaram contra os cortes na verba de educação feitos por Jair Bolsonaro (PSL) e contra a reforma da Previdência - uma ameaça também do atual governo.

Por todo o estado foram registradas grandes manifestações, que iniciaram ainda nas primeiras horas do dia, quando milhares de escolas, creches e universidades, públicas e até privadas, não abriram as portas. 

Desde o início do ano, a área da educação tem sofrido com desmontes, como o corte de 30% no orçamento federal destinado à área, o bloqueio de bolsas de pesquisas e até ameaças aos professores - que tem suas aulas gravadas e expostas nas redes sociais por incentivo da base governista.

A paralisação também é uma resposta às ameaças do governo de tentar realizar uma reforma da Previdência que, se aprovada pelo Congresso Nacional, irá praticamente impedir a aposentadoria de muitos brasileiros.

Greve Geral
Durante o ato na Avenida Paulista, que fechou por completo as duas vias, reunindo mais de 250 mil pessoas, o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, conduziu uma votação entre os presentes. Por unanimidade, todos concordaram na adesão à greve geral que irá ocorrer em 14 de junho.

“Nós vamos defender a educação com o povo nas ruas e vamos construir uma grande greve geral no dia 14 de junho. Hoje tivemos um dia que ficará marcado. Por todo o Brasil saímos às ruas pra dizer ao governo de Bolsonaro que somos contra a reforma da Previdência e os cortes da educação. Fizemos esse movimento chamado pela CNTE e que também teve o apoio dos estudantes, das centrais sindicais e de muitos movimentos”, afirmou o dirigente para a multidão.

Vagner Freitas, presidente da CUT Nacional, falou que as ações desta quarta mostraram que os professores, estudantes e trabalhadores não concordam com as medidas de arrocho e destruição de áreas como educação e Previdência Social. Para ele, se seguir nesse caminho, Bolsonaro pode ir se preparando para ir para casa. “Quero dizer, companheiros e companheiras, que hoje começa o fim do governo Bolsonaro”, disse.

A multidão, que começou a se aglomerar às 13h, seguiu até a Assembleia Legislativa no começo da noite.

Mas não foram somente os professores, estudantes e técnicos das escolas que cruzaram os braços. Muitas categorias também realizaram atos em apoio à comunidade escolar, atrasando a entrada em algumas empresas e dialogando nas ruas contra a reforma da Previdência. Servidores públicos, bancários, metalúrgicos, trabalhadores do ramo do vestuário e da saúde, gasistas e petroleiros foram algumas das categorias participantes.

Além das escolas públicas, grandes instituições particulares também não tiveram aulas após decisão de alunos e professores. Equipe, Oswald de Andrade, Waldorf SP e Santa Cruz foram algumas dessas escolas. Universidades privadas, como a PUC, Fapcom e Fesp, também tiveram aulas paralisadas.

Jair Bolsonaro comentou os atos desta quarta atacando os participantes. Ao chegar em Dallas, nos EUA, para encontro com empresários, ele declarou que os grevistas são “idiotas úteis” e “massa de manobra”. O comentário teve repercussão negativa por mostrar despreparo, mais uma vez, do presidente. No ato da Paulista, ele recebeu uma longa vaia.

Pelo estado
As principais universidades públicas de São Paulo foram palco de ações. Todas as unidades da USP e Unesp fizeram trancaços e caminhadas. Na Unicamp também houve mobilização.

Além disso, as centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais realizaram atos em diversos pontos. Em Bauru, cerca de 10 mil pessoas marcharam pelas ruas desde as 8h pelas avenidas Rodrigues Alves, Nações Unidas e Duque de Caxias.

Campinas, na região Metropolitana, teve o Largo do Rosário - Marielle Franco tomado por trabalhadores e estudantes. Mais de 20 mil pessoas estiveram no local e caminharam pelas ruas do centro.

O ato em São Carlos teve a participação de 15 mil pessoas que saíram da Praça Coronel Salles até a Praça do Mercado Municipal. Em Araraquara o ato foi no Ato na Praça Santa Cruz e, em Matão, pela manhã, na Praça Doutor Leônidas Calígula Batista.

Em Presidente Prudente, a concentração do ato foi na Unesp e, sem seguida, também ganhou as ruas com mais de 4 mil pessoas. Em Catanduva, o ato foi na Praça da Matriz. Jundiaí teve mobilização na Ponte Torta, principal ponto de referência da cidade. Sorocaba também teve centenas de participantes que começaram as ações na Praça Coronel Fernando Prestes. Birigui, Penápolis, Araçatuba, Piracicaba, São José do Rio Preto e Limeira também registraram atividades.

No ABC paulista, na Grande São Paulo, os servidores foram às ruas em Diadema, saindo da Avenida Antônio Piranga, no centro, e em São Bernardo do Campo, com saída pela rua Marechal Deodoro, também no centro. Já em Santo André, uma aula pública foi realizada na Rua Cel. Oliveira Lima, com coleta de assinaturas contra mudanças nas regras da aposentadoria. Segundo o Sindserv, 41 instituições de ensino, entre creches, ensino fundamental e educação para adultos (EJA), ficaram fechadas.

Santos, no litoral, teve ato no início da noite. Com concentração em frente à Estação Cidadania, os participantes marcharam pelas ruas da cidade.