RAC descumpre acordo outra vez e não paga trabalhadores

Salários em aberto desde dezembro e jornalistas em greve há quase 40 dias, mas empresa continua sem cumprir sentença do TRT e sem negociar quitação dos débitos

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

A greve dos jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), de Campinas, completou 38 dias nesta sexta-feira (23) porque os salários estão em aberto desde dezembro  e o quadro continua a piorar na empresa responsável pelo Correio Popular, entre outras mídias.

Segundo apuração do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), a empresa enviou um comunicado aos trabalhadores e trabalhadoras informando que não fará neste 23 de março o pagamento semanal de 25% do salário mensal, como determina acordo judicial firmado em junho de 2017 pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT15-Campinas).

Nas duas últimas semanas, a RAC havia pago metade do salário de dezembro de 2017 e nesta sexta-feira (23)  deveria depositar outros 25% referentes à terceira parte da remuneração. Não é a primeira vez que a rede alega “falta de recursos” e deixa os trabalhadores sem receber nada, apesar da sentença determinar o pagamento.

Na mensagem, a RAC se restringe a lamentar “muito pela presente situação”, reitera seus agradecimentos “pelo empenho de todos que estão diretamente contribuindo para superarmos essas dificuldades”, além de mais uma vez prometer que “tão logo se obtenha recursos faremos o pagamento em pauta”.

Desrespeito sem limites

No período de quase 40 dias de greve, o grupo de comunicação não só descumpriu o acordo judicial com o TRT15-Campinas, como não apresentou nenhuma proposta para quitação afetiva dos débitos que incluem metade do salário de dezembro, os salários de janeiro, fevereiro e adiantamento de março, mais o 13º de 2017 e seis meses de vales refeição e alimentação. Quem saiu de férias nos últimos dois anos também não recebeu o adicional de um terço e os atrasos afetam até o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o repasse do Imposto de Renda à Receita Federal.

Mesmo diante do volume da dívida, a única proposta feita pela RAC – e classificada como “indecente” pelos jornalistas em greve – foi pagamento somente do alimentação devido até 9 de março e, ainda, que os grevistas voltassem ao trabalho e aguardassem mais um mês para negociar os pagamentos. A proposta foi feita pela rede no último dia 28 de fevereiro, em audiência de conciliação que terminou sem acordo no TRT15-Campinas e, por isso, até o momento os profissionais aguardam o julgamento do dissídio pelo tribunal.

Como se não bastasse o desrespeito aos trabalhadores com os atrasos nos pagamentos dos e com a falta de proposta para quitação da dívida, a RAC ainda descontou os dias parados dos grevistas e não pagou vales alimentação e refeição. Em defesa apresentada ao TRT15-Campinas no último dia 7 de março, a rede ainda tentou desqualificar o movimento questionando os procedimentos tomados para deflagração do movimento.

“É uma tentativa inócua de descaracterizar o pleito porque todas as medidas foram tomadas de acordo com a legislação e com o estatuto do Sindicato dos Jornalistas”, afirma Marcel Roberto Barbosa, advogado responsável pela defesa dos jornalistas na  Regional Campinas do SJSP. 

Apoio e solidariedade aos grevistas

Enquanto a Rede Anhanguera de Comunicação prossegue com sua prática antissindical e desrespeito aos jornalistas, a população da Campinas tem apoiado o movimento participando das atividades com arrecadação ao fundo de greve, com o show Som da Resistência, realizado no último dia 19 de março, e a Galinhada Solidária em 28 de fevereiro.

Outra ação foi o Bazar da Amizade, realizado por três semanas consecutivas e que termina neste sábado (24), na Associação Campineira de Imprensa. Apoios e mensagens de solidariedade vieram, ainda, de vereadores de Campinas e de lideranças do movimento sindical da região.

Desde que paralisação começou, em 14 de fevereiro, o SJSP criou um fundo de greve para contribuir com o pagamento emergencial dos grevistas. Para colaborar, basta depositar qualquer quantia na conta:

Caixa Econômica Federal
Agência 4070
Conta corrente 1143-3
(caso o depósito ou transferência seja entre contas da Caixa, o código da operação é 003)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
CNPJ 62.584.230.0001-00

Nesse período, a  Regional Campinas também está recebendo doação de cestas básicas para os jornalistas na Rua Dr. Quirino nº 1319, no 9° andar, centro campineiro.

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