R7: 20 jornalistas receberam juntos o aviso da demissão em massa

Confira carta dos profissionais demitidos do portal R7, divulgada pelo Sindicato dos Jornalistas

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) divulga abaixo a carta dos trabalhadores e trabalhadoras demitidos pelo portal R7 nesta sexta-feira (15). As demissões foram um represália da Record à greve realizada pelos profissionais, em 30 de novembro, contra a mudança arbitrária imposta pela direção da empresa para a escala de plantão de final de semana.

O Sindicato está prestando todo o apoio necessário aos jornalistas, realizou assembleia com os profissionais na tarde desta sexta-feira e está tomando as medidas cabíveis juficialmente. 

Confira a íntegra do documento:

"Carta dos profissionais demitidos do portal R7

20 jornalistas receberam juntos o aviso da demissão em massa

A Rede Record demitiu 20 jornalistas do Portal R7, nesta sexta-feira (15), durante reunião da diretoria de RH da empresa e dos chefes executivos do portal com toda a redação. O grupo se soma aos outros nove que já haviam sido demitidos desde 30 de novembro, quando foi deflagrada uma paralisação por causa da mudança da escala de plantão de trabalho aos finais de semana, com o aumento dos dias trabalhados, sem qualquer contrapartida.

Além dos 20, uma editora pediu para sair diante da demissão coletiva de metade da redação do portal.

Em 30 de novembro, os jornalistas do Portal R7, da Record, receberam um e-mail assinado pelos quatro chefes executivos da redação sobre a troca das escalas de plantão: de 3 x 1 (três fins de semana de trabalho por um de descanso) para 2 x 1. O e-mail de comunicação da piora da escala, sem diálogo e sem oferecer contrapartidas, foi estopim para uma paralisação, que no primeiro momento contou com todos os 44 redatores, editores e estagiários presentes.

O e-mail recebido pelos jornalistas agravava ainda mais um cenário de piora das condições de trabalho pelas quais os profissionais já passavam havia mais de um ano. Em 2016, a jornada de trabalho já havia sido expandida em uma hora sem acréscimo no salário, a pretexto da imposição do intervalo intrajornada. Das duas últimas participações nos lucros (PLR), os trabalhadores receberam apenas uma, após batalha jurídica, como resultado da campanha salarial. Além disso, entre 2016 e dezembro de 2017, houve a diminuição de quase 40% no número total de profissionais do Portal R7.

Na mesma quinta-feira (30), quando foi decretada a paralisação, foi decidida sua duração até as 16h da sexta-feira, quando os profissionais parados fariam uma nova assembleia para decidir os rumos do protesto. No mesmo dia, ocorreu a primeira demissão, de um profissional que teria compartilhado uma foto da redação vazia.

Nas horas seguintes, entre a tarde de quinta-feira e as 16h de sexta (01/12), o que se seguiu foi um acosso a profissionais paralisados. Editores e redatores receberam ligações do chefe de redação, André Caramante, e outros editores executivos, pedindo a volta ao trabalho, sob o risco de perderem o emprego.

Na manhã de sexta-feira (1º), foram demitidos um redator e um editor, apontados como lideranças do movimento. Paralelamente às demissões, continuaram as ligações para os profissionais.

Diante da recusa da diretoria de RH e da chefia em receber os dirigentes do Sindicato – representantes dos profissionais, que se sentiam ameaçados pela empresa –, a assembleia decidiu pela volta ao trabalho, após receber o compromisso formal da direção da empresa que haveria negociação da escala com o sindicato antes de sua entrada em vigor (5/1), mas contanto que não houvesse novas demissões. A garantia de estabilidade por três meses havia sido requisitada oficialmente pelo sindicato a Márcio Santos, diretor de RH da empresa.

Imediatamente após o retorno ao trabalho dos cerca de 35 profissionais que continuavam de braços cruzados, quatro jornalistas foram demitidos – uma redatora e três editores. Conforme decidido na assembleia, os jornalistas voltaram a paralisar, dessa vez com uma adesão menor, de cerca de 20 pessoas. Os demais permaneceriam na redação sob intensa pressão de Caramante e da direção de RH. Grande parte dos demitidos nesta sexta-feira (15/12) fez parte desta movimentação contra as quatro demissões de duas semanas antes.

A reunião deste dia 15 de dezembro foi convocada pela chefia da redação, com todos os jornalistas, e foi precedida pela demissão de um estagiário no dia anterior. Ele havia sido um dos a se manifestar mais contra o RH logo da volta ao trabalho. 

No início da reunião, Márcio Santos afirmou que não haveria nenhuma negociação e que a escala 2 x 1 seria implantada de qualquer jeito. Ao final, chamou-se uma nova reunião com todos, em seguida, com exceção daqueles cujo nome ele chamasse para mais uma conversa.

Os 20 jornalistas chamados a permanecer na sala receberam juntos o aviso da demissão em massa, 'por causa da reestruturação pela qual passa o portal desde agosto'. Não tiveram sequer acesso a seus arquivos particulares nos computadores. Todos os profissionais devolveram os crachás no mesmo momento e deixaram o prédio da TV Record, na Barra Funda, escoltados pelos profissionais de Recursos Humanos.

São Paulo, 15 de dezembro de 2017.

Profissionais do portal R7 demitidos pela Record"