Militares e militância é tema de palestra no SJSP neste dia 23

Grupo Tortura Nunca Mais-SP promove debate com professor Paulo Ribeiro da Cunha, da Unesp

Por Vilma Amaro, com edição do SJSP

O professor Paulo Ribeiro da Cunha, da UNESP, realiza no dia 23 de maio (quinta-feira), a partir das 18h30,  uma palestra no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP). com o tema "Militares e Militância:uma relação dialeticamente conflituosa". É o tema de seu livro publicado pela Editora da UNESP. A promoção do debate é do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e será realizado na sede do SJSP, na Rua Rego Freitas nº 530, sobreloja, Vila Buarque, centro da capital paulista. 

O autor discorre sobre a presença histórica da esquerda nas Forças Armadas brasileiras e lembra episódios como os de 1964, quando milhares de militares foram expurgados por se colocarem ao lado dos legalistas em apoio ao então presidente João Goulart. Muitos deles eram heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB) que lutou na Segunda Guerra. Também lembra o professor da campanha "O Petroleo é Nosso" em que houve participação de militares para a criação da Petrobras.

No livro, o professor abrange o período de militância dos militares de esquerda no país,desde a fase em que denomina "insurreição"do fim do século XIX, com os republicanos radicais, até 1964. Também  aborda a influência de grupos de esquerda e militantes socialistas, desde a Revolta da Chibata de 1910 até a Revolução de 1930, passando pelos levantes dos sargentos em 1915 e 1916 e os levantes tenentistas nos anos 1920.

Segundo o professor  Carlos Zacarias de Sena Júnior, da Universidade Federal da Bahia, "a República no Brasil começou com um putsch militar. Apesar de serem quase onipresentes na vida política do país, os militares foram bem pouco estudados em sua relação com a sociedade e nas diversas conjunturas que a nossa República atravessou. Todavia, faltavam estudos sobre os militares e a política, ou sobre os militares e a militância propriamente dita, independente das posturas serem identificadas com a direita ou com a esquerda. Justo para tentar suprir essa lacuna, o cientista político Paulo Ribeiro da Cunha publicou "Militares e militância: uma relação dialeticamente conflituosa".

Lembra o professor pesquisa sobre os contingentes identificados com a esquerda ou com a centro-esquerda a partir de dados de um estudo, desenvolvido por Maria Celina D´Araújo e Zairo Cheibub, entre a oficialidade da marinha em 1998, com dados bastante discrepantes, já que, como aponta Cunha, enquanto 12% se diziam de direita, 34,8% se assumiam como de centro-direita, contra apenas 1% que se diziam de esquerda e 12% que reivindicavam uma posição de centro-esquerda. Cunha ainda discorre sobre a atuação de Miguel Costa, policial militar que ele considera socialista e que tem sido esquecido. 

Militares e Militância: uma relação dialeticamente conflituosa
Palestra com Paulo Ribeiro da Cunha

Dia: 23 de maio de 2018 (quarta-feira)
Horário: 18h30
Local: Auditório Vladimir Herzog - Sede do Sindicato dos Jornalistas
Rua Rego Freitas nº 530 - Sobreloja - Vila Buarque - São Paulo - SP (Metrô República)