Nota da CUT Brasil sobre a Amazônia e a política ambiental no país

Para a CUT Brasil o ataque do governo está ligado aos interesses de mineradoras e do agronegócio brasileiro, e tem como objetivo destruir o meio ambiente para avançar na exploração

A Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil, denuncia a política criminosa de destruição do meio ambiente do governo brasileiro cujas consequências, que se tornaram manchete no Brasil e no mundo, se refletem no avanço dos incêndios na Amazônia nas últimas semanas.

Os alertas sobre a situação da Amazônia e da política ambiental têm sido constantes desde o golpe que instituiu um governo ilegítimo, agravada com a eleição e mandato do governo Bolsonaro, que tem implementado o desmonte da legislação ambiental do Estado brasileiro, construída ao longo dos últimos trinta anos.

Em menos de oito meses, o governo brasileiro reduziu em 30% as operações de combate ao desmatamento, 38% a verba destinada à fiscalização ambiental, cortou mais de 4 US$ milhões das políticas de combate à incêndios e 95% da verba destinada às políticas para mudanças climáticas. O ministro do meio ambiente proibiu o Ibama, órgão responsável pela fiscalização ambiental, de realizar operações de monitoramento, demitiu diversos funcionários e está revisando as multas ambientais.

Para a CUT Brasil esse ataque do governo está ligado aos interesses de mineradoras e do grande agronegócio brasileiro, e tem como objetivo destruir o meio ambiente para avançar na exploração de mineral e a produção de soja e gado e promovem diversas formas trabalho precário. Setores que querem se apropriar dos bens naturais, ricos em biodiversidade presente nestes territórios e que atacam povos e populações tradicionais, agricultores e agricultoras familiares, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais e ribeirinhos, que vivem na Amazônia e a protegem historicamente.

Não podemos esquecer que estes ataques vêm acompanhados de um aumento da violência e mortes no campo e na floresta, em 2018 o número de atingidos por conflitos no campo chegou a quase 1 milhão de pessoas e, nos últimos dois anos, 98 foram assassinadas. Dados mostram que mais de 95% das áreas em disputa no Brasil estão localizadas na Amazônia Legal. O discurso de Jair Bolsonaro tem sido fundado em ataques aos povos indígenas e quilombolas, às Unidades de Conservação e à legislação, que alimenta setores criminosos para avançarem sobre os territórios e suas populações de forma violenta e impune.

A CUT Brasil estará no próximo 05 de setembro, Dia da Amazônia, defendendo a soberania do país e dos povos e pedimos a todos os sindicatos, centrais e organizações amigas solidariedade às trabalhadoras e trabalhadores brasileiros frente ao atual governo que ataca o meio ambiente e os direitos humanos, sociais e trabalhistas.

 Vagner Freitas – Presidente da CUT Brasil

Antonio Lisboa – Secretário de Relações Internacionais

Daniel Gaio – Secretário de Meio Ambiente