No 8º dia de greve, jornalistas recebem apoios da jogadora Marta e de Trajano

Além do trabalho da CUT Alagoas e sindicatos de sensibilizar juízes do trabalho e garantir salário justo aos trabalhadores, categoria vai fazer vigília em frente ao TRT para aguard

Por Érica Aragão - CUT Nacional

Em greve desde o dia 25 de junho, contra a proposta patronal que pode reduzir em até 40% o piso salarial da categoria, Jornalista de Alagoas, receberam importantes manifestações de apoios pelas redes sociais, nesta terça-feira (2).

Uma delas foi enviada pela jogadora de futebol Marta, que está nos Estados Unidos. No vídeo, Marta diz que está acompanhando a situação e que é solidária aos profissionais que levam informações à sociedade. “Estamos juntos nesta”, diz a jogadora, que nasceu em Dois Riachos, no interior de Alagoas.

O jornalista José Trajano, da TVT, também um vídeo na noite da segunda-feira (1°) se solidarizou os trabalhadores e trabalhadoras na luta contra a redução salarial proposta pelos donos de emissoras de comunicação em Alagoas.

 “Sou solidário e estamos juntos com os jornalistas de Alagoas, que estão lutando por seus direitos”, disse o jornalista da TVT.

Xico Sá, outro jornalista, também se pronunciou em defesa da categoria no Twiiter. “Viva os bravos colegas das Alagoas, viva Graciliano Ramos”, postou em sua conta na rede social retuitando um conteúdo sobre a luta dos profissionais.

Além disso, segundo a secretária de Mobilização e Organização do Sindicato dos Jornalistas de Alagoas (SindJornal), Emanuelle de Araújo Vanderlei, a Manu, o movimento grevista ganhou mais duas importantes adesões. “Os apresentadores da TV Ponta Verde, afiliada ao SBT, se engajaram na luta e estão aqui de braços cruzados com a gente contra esta redução de salário que as empresas de comunicação estão nos oferecendo”, afirmou Manu.

Nesta terça-feira, os jornalistas e as jornalistas de Alagoas fazem piquete na frente na TV Ponta Verde, afiliada ao SBT, uma das três grandes empresas de comunicação no estado e também responsável pela proposta de redução salarial.

A categoria se reveza na mobilização nas portas de outras duas empresas. Na segunda-feira o piquete foi na TV Gazeta, afiliada da Rede Globo. Na tarde desta terça farão mobilização na TV Pajuçara, afiliada à Record. Ao longo do dia também estão programadas ações de diálogo com a população.

Luta na Justiça

A CUT e dezenas de sindicatos filiados também estão apoiando a luta. Na manhã desta terça, uma comissão de representantes sindicais esteve no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), onde será julgado o dissídio dos jornalistas na quarta-feira (3), para conversarem com o juiz do Trabalho, Dr. João Leite, que estará na audiência.

“Fomos informar o que está acontecendo com os jornalistas e falar sobre como ficará a situação dos trabalhadores, caso esta redução salarial seja aprovada. Estamos pedindo o apoio do Tribunal e pedindo que este julgamento tenha um olhar humano”, disse a presidenta da CUT Alagoas, Rilda Alves.

Ainda de acordo com a dirigente, a comissão também conversou com o Presidente da Procuradoria Regional do Trabalho (PRT), Dr. Rafael Gazaneio, que está acompanhando o caso desde o inicio.

“Como eles estão acompanhando o dissídio e mediando a negociação, estamos tentando sensibilizá-los e ter apoio deles. A nossa expectativa é que na decisão [sobre o dissídio], eles possam realmente reverter a situação do absurdo da redução dos 40% nos salários”, afirmou Rilda.

A categoria também fará uma vigília em frente ao TRT nesta quarta-feira (3), a partir das 7h, durante todo o julgamento. “Independente de qualquer coisa, amanhã a categoria estará mobilizada na porta do tribunal para deixar claro que a luta não é apenas pelo salário e sim contra a precarização da profissão, contra a redução de qualidade do conteúdo exibido para a população e contra a afronta contra a democracia”, diz o jornalista na TV Gazeta que não quis se identificar.

Batalha de narrativa

#IssoATVnãoMostra é a hashtag do dia dos jornalistas de Alagoas, que querem pautar a grande mídia no Twitter e disputar narrativa sobre a greve da categoria. A TAG foi escolhida porque no oitavo dia de greve, depois de passeata, manifestações e piquetes na frente das empresas, os veículos de comunicação no estado não divulgaram nenhuma nota explicando os reais motivos da greve.