Morte de Vladimir Herzog completa 44 anos

Por Adriana Franco - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Anualmente, em memória de Vladimir Herzog, contra a ditadura e em defesa da democracia, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) organiza, conjuntamente com o Instituto Vladimir Herzog e outras entidades, o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que premia reportagens que favoreçam a promoção dos direitos humanos. A edição de 2019 teve a entrega dos prêmios nesta quinta-feira (24). (Clique aqui para conhecer os vencedores)

Nesta sexta-feira, 25 de outubro, o assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura militar completa 44 anos. Naquele momento, a ditadura mantinha forte repressão contra diversos setores do movimento sindical, democrático e contra as organizações de esquerda, incluindo o Partido Comunista Brasileiro (PCB), do qual Herzog era próximo.

Ao ser convocado a depor, o jornalista compareceu espontaneamente ao DOI-CODI (órgão de repressão da ditadura militar), onde foi preso e torturado até a morte.

Na tarde do dia em que o jornalista foi detido, o Sistema Nacional de Informação divulgou a mensagem de que ele havia se suicidado – forma pela qual o governo militar escondia mortes por tortura ocorridas nos porões da ditadura.

Uma semana depois, em 31 de outubro, a cerimônia ecumênica em homenagem a Vladimir Herzog reuniu cerca de 8 mil pessoas na Catedral da Sé, enfrentando um enorme aparato repressivo, e tornou-se um marco histórico da luta pelo fim da ditadura.

Durante o ato, o então presidente do Sindicato dos Jornalistas, Audálio Dantas, pediu paz. 

Em homenagem ao jornalista morto pela ditadura militar, o auditório do Sindicato leva o nome de Vladimir Herzog. O SJSP se inscreveu na história com sua resistência contra o regime ditatorial. Em 1976, o sindicato encaminhou à justiça militar o manifesto “Em nome da verdade”, subscrito por mais de mil jornalistas, também publicado nos jornais Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Nele, se contestava a versão oficial de suicídio do preso político e se reclamava a elucidação dos fatos.

Para o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, o assassinato de Vladimir Herzog continua até hoje sendo um crime impune, que exige apuração e punição dos seus responsáveis. O assassinato sob tortura é um crime imprescritível. Ninguém pode ignorar que a conivência com os porões é um dos elementos que dão base ao atual momento que vivemos no Brasil. Esta entidade mantém a sua luta pela punição do assassinato de Vladimir Herzog. Vlado presente! 

Veja abaixo trecho do filme Vlado - 30 anos depois que traz depoimentos e cenas do ato ecumênico.