Mídias emergentes em Cuba: desafios, ameaças e oportunidades

Eles surgiram entre 2001 e 2017, e já são 14 sites de notícias que se tornaram relevantes dentro e fora da Ilha

Por Elaine Díaz Rodríguez*

Elaine Díaz (acervo pessoal)Elaine Díaz (acervo pessoal)Eles surgiram entre 2001 e 2017, e já são 14 sites de notícias que se tornaram relevantes dentro e fora da Ilha. A maioria de suas equipes não tem mais que uma dezena de funcionários, muitos deles voluntários. Todos estes meios digitais têm jornalistas que trabalham com base em Havana, mas 50 por cento têm escritórios ou redações em cidades estrangeiras como Miami, Valência e Cidade do México.

Abordam um espectro amplo de temas: política, sociedade, meio ambiente, economia, tecnologia, cultura e esportes. A maioria de seus jornalistas já sofreu ameaças ou foi assediada nas redes sociais por perfis falsos. 

Enquanto alguns têm modelos de negócios sólidos, ainda há outros que nem sequer estão pensando em como gerar renda. Seu público está espalhando pela internet: são os cubanos que residem na Ilha e acessam a rede com pouca frequência e a partir de espaços públicos; os cubanos que vivem na diáspora; e os estrangeiros que querem saber de Cuba.

Inovam sem saber que estão inovando: criam aplicativos para o download offline dos conteúdos; arrecadam fundos em um tipo de crowdfunding regional que burla as leis nacionais e o bloqueio dos Estados Unidos à Ilha; produzem podcasts; e criam alianças para a formação de outros atores sociais, como os empreendedores.

Ilustração por Mijal IastrebnerIlustração por Mijal Iastrebner

Quase todos sobrevivem em um ambiente abertamente ilegal que eles chamam de “alegalidade”. Isto significa que as mídias não estatais em Cuba desafiam até a Constituição da República, que no artigo 52 proíbe explicitamente a existência de veículos de imprensa privados.

Receberam prêmios e reconhecimentos internacionais que validam a qualidade de seus conteúdos. Em 2017, pela primeira vez, um jornalista cubano (Jorge Carrasco de El Estornudo) ganhou o prêmio na categoria de texto do concurso Gabriel García Márquez e a equipe do Postdata foi finalista nos Data Journalism Awards.

Causaram tanto alvoroço que o vice-presidente cubano disse sobre um deles em uma reunião com funcionários do Partido Comunista de Cuba no início de 2017: "A plataforma digital do OnCuba é muito agressiva com a Revolução e vamos fechá-la. E que façam o escândalo que queiram fazer. Deixe dizerem que censuramos."  

A mídia não estatal tem como objetivo principal em comum fazer jornalismo. Essas conclusões abrangem a análise de 14 veículos não estatais cubanos: Periodismo de Barrio (2015), Cachivache Media (2016-2017), 14ymedio (2014), Cibercuba (2014), El Estornudo (2016), Diario de Cuba(2009), El Toque (2014), Hypermedia Magazine (2016), La Joven Cuba (2010), Negolution (2016), OnCuba(2012), PlayOff (2015), Postdata (2016) e Progreso Semanal (2001).

Quase todas surgiram a partir de 2014. Setenta por cento das mídias não estatais em Cuba (10) foram criadas entre 2014 e 2016, o que lhes dá apenas três anos de experiência. No entanto, muitos dos empreendimentos mais novos receberam o reconhecimento de organizações internacionais de jornalismo, como a Fundação de Novo Jornalismo Gabriel García Márquez, e suas obras foram republicadas em grandes veículos como a Univisión ou a revista Internazionalle (Itália), para citar apenas alguns.

Cem por cento se concentram em temáticas nacionais e apenas 35 por cento lidam com questões provinciais, além de nacionais. Vinte e um por cento refletem temas locais. A maioria, 85 por cento, aborda temas sociais, seguidos de atividades culturais (57 por cento), políticas (50 por cento), esportes (42 por cento) e economia (35 por cento). Algumas mídias se especializam em temas como ambiente (Periodismo de Barrio), tecnologia (Cachivache Media), empreendimentos (El Toque), negócios (Negolution) e esportes (PlayOff). O resto normalmente tem uma agenda informativa mais geral. A especialização em certos temas fez com que alguns desses meios de comunicação se concentrassem em nichos específicos.

Quem faz a mídia emergente cubana?

Jovens. Equipes de trabalho. Mulheres. Trinta por cento das mídias cubanas foram fundadas por uma pessoa apenas, enquanto que os outros 70 por cento têm entre dois e oito fundadores. Esse é o caso do 14 y Medio, El Estornudo, PlayOff, Cachivache Media e Posdata, entre outros. Coincidindo com a tendência regional, mais de 40 por cento dos fundadores são mulheres.

Cinquenta e oito por cento dos fundadores são formados em faculdades de jornalismo e comunicação social, e cinco cursaram estudos de pós-graduação. A maioria dos cargos de direção geral ou editorial é ocupada por homens e, exceto em três casos (CiberCuba, PlayOff e La Joven Cuba), todos os diretores são jornalistas.

Quem lê e de onde?

As audiências das publicações digitais analisadas variam significativamente de acordo com a mídia. Há mídias cujos usuários mensais únicos não excedem 4.000 e outros que excedem 4 milhões. Uma consolidação de audiência pode ser observada em sites como o CiberCuba ou publicações gerais como OnCuba e 14ymedio.

No restante das mídias, que tendem a produzir jornalismo de formato longo ou especializado ou para um nicho específico, a atração dos usuários não parece ser uma prioridade.

É importante destacar que esses números correspondem com o tráfego ao site, mas não refletem o número total de usuários. Devido às dificuldades de acesso à internet da Ilha, o consumo é gerado em e-mails, através de revistas PDF publicadas na rede de troca offline ou no chamado Pacote da Semana, entre outros.

Embora sejam dirigidas a usuários cubanos que vivem na Ilha, apenas 41 por cento dos veículos de comunicação têm como este país a principal fonte de tráfego. Para 50 por cento da mídia, os Estados Unidos (especificamente a diáspora cubana residente em Miami) são a fonte fundamental de leitores.

O segundo país de procedência das visitas varia entre Venezuela, Uruguai e Espanha; enquanto o terceiro é ainda mais diversificado: Chile, Equador, México, etc.

Os números de dispositivos móveis como fonte essencial de tráfego continuam a crescer entre as mídias não estatais cubanas. O CiberCuba, que está bloqueado na Ilha, alcança entre 70 e 79 por cento da audiência por meio de dispositivos móveis, mas a implementação do Facebook Instant Articles permitiu que o conteúdo se tornasse acessível aos usuários dessa rede social residentes no país.

Segundo o que podemos observar, o Facebook é a rede social mais utilizada (100 por cento), seguida pelo Twitter (92 por cento), YouTube (78 por cento) e Instagram (57 por cento). Nenhuma das mídias usa aplicativos que requerem maior permanência na internet como Snapchat, Telegram ou Whatsapp.

As estratégias de redes sociais variam dependendo de cada site. No caso do 14ymedio, devemos levar em consideração que a sua fundadora, Yoani Sánchez, contava com mais de 700.000 seguidores no Twitter quando lançou o site, então concentrou o trabalho nas redes sociais como uma forma de entrada para o conteúdo da web.

A revista El Estornudo desenvolveu espaços exclusivos nas redes para manter sua atividade diária. “Píldoras” [Pílulas], por exemplo, é uma seção de fotografia acompanhada por histórias curtas sobre a vida de personagens comuns que moram em Havana e Miami. Há também um espaço semanal onde a revista digital publica ilustrações ou animações de desenhistas cubanos. 

O Periodismo de Barrio (a revista digital fundada pela autora deste artigo) contratou um jornalista de meio período em 2017 para desenvolver a estratégia de comunicação da mídia nas redes sociais. Entre as práticas mais inovadoras está a publicação de mais de 10 fotografias por semana no Instagram e a conversão de cerca de 10 reportagens em fotovídeos de menos de três minutos.

Três mídias possuem um aplicativo. O CiberCuba, com as estatísticas mais notáveis, tem cerca de 100.000 downloads e 30.000 usuários frequentes por mês. Para o público local no contexto do bloqueio de seu site, o aplicativo é a entrada principal para usuários locais.

Qual é a relevância do conteúdo produzido por estas mídias cubanas?

"Os moradores dizem que a pequena comunidade Los Danieles é tão isolada que não vem nem ladrão. Está tão longe na planície, é tão desolada, que não chega corrente elétrica a esses lugares". Assim, começa um artigo publicado na revista digital El Toque em setembro de 2016.

El Toque, setembro de 2016El Toque, setembro de 2016

Em 2012, pouco antes das eleições locais, os residentes desse bairro decidiram não votar, e nas últimas eleições apenas seis pessoas participaram das 18 famílias que ainda permaneciam lá. Esta matéria conseguiu muita atenção dos leitores que vivem em Cuba, o que evidencia a importância de contar histórias locais com significância nacional.

Cuba é muitas vezes vista como uma ilha com acesso limitado à internet e um sistema de mídia estatal que não deixa espaço para a dissidência. No entanto, o surgimento dos sites mencionados acima mostra que o ecossistema jornalístico nacional é muito mais complexo e plural do que se poderia pensar.

Apesar de todas as limitações, as mídias emergentes entre 2001 e 2017 inovam e têm impacto. Alguns dos sucessos mais significativos nos últimos anos foram:

– A cobertura de questões silenciadas ou pouco abordadas na imprensa nacional

– A experimentação com novos gêneros e formatos

– A diversificação dos espaços de distribuição de conteúdo

– O estabelecimento de alianças com outras mídias nacionais e internacionais

– O reconhecimento de instituições, organizações, empresas e governos internacionais

A revista El Estornudo, por exemplo, concentra-se em dois temas principais que recebem seguimento e cobertura de vários pontos de vista e especificidades: o êxodo nacional para os Estados Unidos (a rota migratória através da América Central, os encalhados no Panamá ou Costa Rica, o cruzamento da fronteira com o México) e as condições de vida nos diferentes bairros insalubres de Havana (bairros marginais onde os migrantes rurais proliferam e onde o Estado não reconhece nem faz recenseamento, ou a deportação forçada desses mesmos migrantes para seus locais de origem).

A revista Hypermedia conseguiu que importantes intelectuais cubanos da diáspora, como Rafael Rojas e Gustavo Pérez Firmat, entre outros, colaborassem com a revista e contribuíssem para aumentar o prestígio dessa publicação. O escritor cubano-americano Gustavo Pérez Firmat foi selecionado entre os latinos mais influentes dos Estados Unidos em 2004. Além disso, com o objetivo de promover a reportagem como gênero narrativo e jornalístico, a Editorial Hypermedia promoveu três edições do seu prêmio de reportagens.

A gameficação dos conteúdos foi empregada pelo Postdata para abordar o cinema cubano. A edição dedicada a este tema incluiu um jogode perguntas que permitiu aos usuários avaliar seus conhecimentos.

Os trabalhos de maior impacto da publicação Negolution são aqueles relacionados a empreendimentos sociais que vão além do ganho de dinheiro com o projeto e incluem uma incidência positiva na comunidade.

Através dessas histórias, eles obtiveram colaborações dentro e fora de Cuba, para aumentar a conscientização social em temas como reciclagem, contratação, benefícios e tratamento dos trabalhadores, a relação com as comunidades onde os projetos estão inseridos e a responsabilidade social corporativa.

En 2010, o intelectual cubano Esteban Morales foi expulso do Partido Comunista de Cuba depois de anunciar suas advertências sobre a corrupção no país. A publicação digital La Joven Cuba foi um dos espaços que republicaram os artigos dedicados ao tema e realizou várias entrevistas com Morales nos anos seguintes. Em 2012, eles organizaram um Encontro Nacional de Blogueiros Cubanos que abordou questões relacionadas ao acesso à internet e ao direito à expressão nas redes sociais e blogs. Pouco depois, La Joven Cuba foi bloqueada na Universidade de Matanzas. Em 2013, o site voltou a ser desbloqueado. 

A revista online Cachivache Media criou, entre seus produtos comunicativos, um podcast, El Trastero, que já possui mais de 30 capítulos e está disponível no iTunes e Soundcloud.

Em 20 de março de 2016, o presidente americano Barack Obama visitou a Ilha. Sua visita representou um dos desafios mais importantes para o 14ymedio. Pela primeira vez, uma mídia independente cubana foi acreditada pela Casa Branca para cobrir parte dessa visita, o que constitui um reconhecimento da imprensa independente cubana perante o mundo internacional.

Em maio de 2016, Mónica Baró, do Periodismo de Barrio, participou do workshop “Histórias da água”, realizado pela Fundação de Novo Jornalismo Gabriel García Márquez. A partir dessa experiência, mais de 33 matérias curtas foram escritas por 26 jornalistas de 13 províncias do país. A série incluiu ilustrações e ofereceu oportunidades de trabalho a quatro desenhistas e 26 jornalistas.

Perigos, ameaças e mal-entendidos

Quase todas as mídias cubanas emergentes foram alvo de ameaças ou outra forma de assédio. Alguns jornalistas com sede em Cuba foram interrogados pelo Departamento de Segurança do Estado e outros foram perseguidos nas redes sociais por perfis e páginas falsas ou anônimas. 

No final de dezembro de 2014, o 14ymedio denunciou em seu site a prisão de vários membros de sua equipe. Reinaldo Escobar foi preso quando deixou o prédio. Ele foi algemado e levado a uma patrulha que esperava na frente do prédio. O repórter do 14ymedio Víctor Ariel González também foi preso. 

No dia anterior aos acontecimentos, um oficial chegou à casa de Luz Escobar, repórter do site, para adverti-la a não ir para a Praça da Revolução, onde a artista Tania Bruguera planejava um evento para reivindicar a liberdade de expressão dos cidadãos. Durante esse dia, a diretora do jornal, Yoani Sánchez, ficou em prisão domiciliar.

A falta de reconhecimento legal também dificulta o exercício do jornalismo em Cuba. Em 11 de outubro de 2016, seis membros da equipe do Periodismo de Barrio, incluindo quem escreve este artigo, e dois colaboradores foram presos no município de Baracoa, província de Guantánamo. 

Como explica este artigo no portal, o argumento utilizado para tal prisão foi que as atividades jornalísticas não poderiam ser realizadas em Baracoa, Maisi e Imias porque essas cidades estavam em estado de emergência. Lá os jornalistas foram interrogados e seus equipamentos tecnológicos foram apreendidos. Uma revisão posterior da legislação cubana permitiu conhecer a inexistência da declaração legal do estado de emergência nessa zona. No entanto, todos os jornalistas foram levados para fora do território.

Neste mesmo contexto, Maykel González Vivero, colaborador da revista  El Estornudo, foi detido por autoridades do governo cubano durante 72 horas. Seu laptop e o resto dos equipamentos de trabalho foram confiscados. Um ano depois, durante a cobertura do furacão Irma, o jornalista foi novamente detido e recentemente denunciou ser vítima de “procedimentos humilhantes” em um artigo publicado no Diario de Cuba, onde também trabalha.

A repórter Sol García Basulto foi presa na noite de 4 de novembro de 2017 pela Segurança do Estado quando viajava para Havana. A correspondente do 14ymedio em Camagüey foi interceptada durante a viagem à capital por oficiais que a algemaram e confiscaram seus pertences. Por volta das duas da manhã, ela foi liberada e avisada que não poderia deixar a província por 60 dias.

Como conta esta nota na publicação, García Basulto se dirigia para a capital cubana para visitar a redação desse jornal e começar os procedimentos para viajar ao exterior. A repórter ia solicitar um visto no consulado do Panamá para participar de um curso de jornalismo investigativo com base em um convite emitido pelo Centro Latino-Americano de Jornalismo.

Nos últimos meses de 2017, Harold Cárdenas, um dos editores do site La Joven Cuba, sofreu campanhas intensas de descrédito online, na maioria das vezes por usuários anônimos. 

Além disso, vários jornalistas que colaboraram nas mídias emergentes e estatais foram demitidos ou penalizados recentemente.

Inovações, prêmios e reconhecimentos

Compreendendo as dificuldades técnicas e operativas dos jornalistas que realizam empreendimentos de mídia na Ilha, ainda há espaço para a geração de trabalhos que empurram os limites do que já foi feito e que até são premiados por instituições jornalísticas internacionais.

Recentemente, El Estornudo ganhou o Prêmio Gabriel García Márquez 2017 na categoria texto com o trabalho de Jorge Carrasco intitulado “A história de um pária”, que narra a vida da “travesti mais famosa de Havana”. E quando o site Distintas Latitudes publicou as 25 matérias jornalísticas mais interessantes de 2016, quatro trabalhos do El Estornudo apareceram na lista. Seu diretor editorial, Carlos Manuel Álvarez, foi o vencedor do V Prêmio de Crônicas Inéditas em Espanhol “Novas Plumas” com sua reportagem “As nobres bestas”, publicada também no El Estornudo.

Durante seu primeiro ano de trabalho, o Periodismo de Barrio foi reconhecido por importantes competições internacionais. A reportagem “A mudança”, de Mónica Baró, ficou entre as três finalistas na categoria texto do Prêmio Gabriel García Márquez 2016. Elaine Díaz, diretora do PB e autora da matéria, recebeu uma bolsa da Earth Journalism Network para a cobertura da Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, realizada em dezembro de 2016 em Cancún, México, o que permitiu ampliar a cobertura e a incidência sobre esta questão a nível regional, além de estabelecer vínculos de trabalho com a equipe do portal La Mula, no Peru.

O CiberCuba foi pioneiro na implementação do Facebook Live, bot de Messenger e Artigos Instantâneos. Do ponto de vista de técnicas jornalísticas, o Postdata está inovando em Cuba com uma equipe onde jornalistas e analistas de dados interagem pela primeira vez.

Por sua vez, o Diario de Cuba tem um espaço para o jornalismo de dados georreferenciados, com foco em questões particularmente sensíveis e atuais da realidade cubana. Os resultados, com base na combinação de mapas digitais e dados coletados por jornalistas e colaboradores, não só respondem à pergunta clássica sobre onde os eventos ocorrem, mas também constituem uma ferramenta que contribui para a análise e liberdade de informação. 

No campo de distribuição de conteúdo de maneira eficiente, o PlayOff se destacou como a segunda revista de PDF que emergiu em Cuba, distribuída no Pacote da Semana. 

Dentro deste grupo de mídias, observamos várias iniciativas interessantes, dentre as quais estão as alianças entre El Estornudo com o site espanhol Contexto e com o Huffington Post a partir de uma coluna semanal; ou entre o Periodismo de Barrio com o Global Voices, uma rede global de jornalismo e site de publicações internacionais.

*Elaine Díaz é embaixadora da SembraMedia em Cuba; além de fundadora e diretora do Periodismo de Barrio. É a primeira jornalista cubana a receber a bolsa Nieman na Harvard e foi professora da Universidade de Havana entre 2008 e 2015.

Este texto foi publicado orginialmente em espanhol pela SembraMedia e traduzido para o português pela IJNet.