Assembleias de jornalistas e radialistas terminam nesta sexta (15)

Categorias seguem luta unificada contra a retirada de direitos e a intransigência das empresas na Campanha Salarial de Rádio e TV

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Os jornalistas e radialistas do estado de São Paulo realizam assembleias unificadas desta terça (12) até sexta-feira (15), dando continuidade às ações conjuntas contra a retirada de direitos trabalhistas e contra a intransigência das empresas na Campanha Salarial de Rádio e TV.

As discussões no local de trabalho começaram neste 12 de junho na Rede Record, às 13h, e terminam neste dia 15, às 14h, na Rede Bandeirantes, com todos e todas vestindo roupa preta em protesto. Entre outros direitos que os patrões querem tirar da Convenção Coletiva das duas categorias estão o quinquênio, a estabilidade pré-aposentadoria e a estabilidade das jornalistas que voltam ao trabalho após a licença-maternidade (confira os detalhes no final do texto).

No caso dos jornalistas, após 11 rodadas que começaram em outubro de 2017, a Campanha Salarial segue num impasse porque o patronal não negocia efetivamente com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), uma vez que as empresas querem impor a própria pauta à categoria. A data base foi em 1º de dezembro e o único ponto de acordo até o momento é o reajuste de salários e benefícios em 2,5%. Os radialistas deram início à Campanha na data base do segmento, no último dia 1º de maio, e enfrentam a mesma tentativa das empresas de excluir direitos e de imposição da Convenção Coletiva patronal.

Mobilização nacional

No último dia 7 de junho, também vestindo preto, os radialistas promoveram protestos nacionalmente contra mudanças que desregulamentam a profissão, e os jornalistas de São Paulo se somaram à luta participando da mobilização realizada em frente à Rede Globo da capital paulista, na zona sul paulistana.

No mesmo dia, além da capital, jornalistas e radialistas promoveram ações unificadas nas emissoras no interior e litoral paulista, entre as quais na TV Tem (Bauru, São José do Rio Preto e Sorocaba), na EPTV (Campinas e Ribeirão Preto), na TV Vanguarda (São José dos Campos), na TV Fronteira (Presidente Prudente) e na TV Tribuna (Santos).

Vá trabalhar de roupa preta!

Além da participação nas assembleias, a orientação dos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas é para que todos e todas trabalhem vestindo roupa para mostrar sua insatisfação com a postura patronal nas negociações da Campanha Salarial.

Confira o calendário de assembleias da capital:

12/6 (terça-feira)
13h - Rede Record (Rua da Várzea)

13/6 (quarta-feira)
9h30 - SBT  (Praça de Alimentação)
13h – ESPN (na praça)

14/6 (quinta-feira)
14h - Rede TV (na rua da portaria)

15/6 (sexta-feira)
14h -  Rede Bandeirantes (Rua Carlos Cyrillo Jr.)

Os principais direitos que as empresas querem tirar dos jornalistas e dos radialistas são:

Quinquênio: a cada cinco anos, o trabalhador ou a trabalhadora que se mantém no emprego ganha um adicional de 3% no salário. As empresas querem congelar esse direito: o quinquênio deixaria de acumular, e só se mantém para quem já o ganha.

Estabilidade pré-aposentadoria: é uma cláusula que impede as empresas de demitirem o trabalhador que se aproxima da aposentadoria. Os empresários querem derrubar essa garantia em troca de uma indenização.

Estabilidade da gestante: direito que as mães têm de voltar ao trabalho após a licença-maternidade, tendo garantida a estabilidade por um mês. É uma proteção para a mulher.  É outra cláusula que as empresas querem derrubar em troca de indenização.

Decisão sobre as férias: o trabalhador  tem o direito de decidir se quer tirar 30 dias corridos de férias ou quebrar em até três períodos. As empresas querem passar a ter o direito de decidir sozinhas sobre isso, podendo usar férias, por exemplo, para as escalas de final de ano.

Banco de horas: as empresas querem piorar brutalmente a jornada de trabalho das duas categorias, estendendo o período de compensação para até seis meses. No caso das duas categorias, há possibilidade de redução de ganhos para parcelas dos trabalhadores, a depender do contrato de trabalho.