Jornalistas de rádio e TV dizem “não” à proposta patronal

Maioria da categoria (77,94%) rejeitou a retirada de direitos da Convenção Coletiva

Por Redação - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Arte: Freepik/CCArte: Freepik/CC

Os jornalistas de rádio e TV rejeitaram novamente a pauta proposta pelos empresários para a Campanha Salarial 2017-2018 e, dos 989 profissionais  que votaram no plebiscito, 77,94% (770) disseram “não” à retirada de direitos que os patrões tentam impor na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). 

Em ofício enviado nesta quinta (3), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) propôs nova negociação para o dia 8 de maio (terça-feira) com Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo - Sertesp. A diretoria do SJSP também está organizando uma assembleia unitária com o radialistas, prevista para a semana que vem, para dialogar sobre os próximos passos da campanha.

O SJSP promoveu o plebiscito na capital, interior e litoral entre 19 de abril e 2 de maio, fazendo duas perguntas aos trabalhadores e trabalhadoras. Na primeira questão, os jornalistas deliberaram sobre a proposta patronal e 770 disseram  “não” às empresas, 218 (22%) votaram “sim” e um votou em branco.

Os profissionais que votaram “não” na primeira pergunta, foram questionado sobre a manutenção da contraproposta dos jornalistas às empresas, e 93,2% (712) foram a favor, quase 7% (52) votaram contra e seis se abstiveram.

A Campanha Salarial começou em outubro de 2017 e, desde 15 de dezembro, as empresas insistem numa mesma pauta que desmonta a CCT do setor. No período, foram dez rodadas sem avançar devido à intransigência das empresas.

Para a diretoria do SJSP, o resultado da votação reforça aos empresários que os profissionais não dão aval a uma proposta de CCT que piora as condições de trabalho e rebaixa garantias legais, além de retirar direitos garantidos há anos sem que existam contrapartidas.

Confira os detalhes da votação:

     

                      

Na pauta patronal, jornada maior e remuneração menor

Entre os principais pontos em debate na campanha, e que levaram à rejeição da proposta empresarial, está a compensação de horas, pois os patrões querem quebrar a jornada e dificultar o recebimento de horas extras pelos jornalistas.

Pela cláusula anterior existente na CCT, havia um limite de 21 horas mensais, com pagamento de extra a partir da 22ª hora e até dois meses para compensação. Na pauta, os empresários querem derrubar o limite de horas e ampliar de dois para seis meses o prazo de compensação.

Na proposta das empresas, a possibilidade de redução de 43% nos vencimentos dos jornalistas de rádio e TV é outra realidade que pode atingir uma parcela significativa da categoria, alertam os dirigentes do SJSP. Neste caso, profissionais contratados por 5 horas/dia, mas que, na prática, trabalham 6 ou 7 horas diárias, podem acabar deixando de receber os extras porque as horas a mais seriam incorporadas ao banco.

Ainda que viessem a receber por essas horas, o pagamento dos jornalistas poderia ocorrer até seis meses depois e com valor reduzido, com adicional de 55% sobre todas as horas e não mais de 75% sobre a 6ª hora ou de 100% a partir da 7ª hora, como garantia a CCT anteriormente. 

A aceitação da pauta empresarial para a CCT ainda representaria a perda de outros direitos, como o congelamento do quinquênio a partir de novembro, o fim da estabilidade aos que estão em vias de se aposentar e garantias relativas às verbas rescisórias. A jornalista que retorna de licença maternidade também perderia a o direito de estabilidade, rescindida por decisão unilateral da empresa, segundo a cláusula dos empresários.