Jornalistas da RAC protestam contra atrasos de pagamentos

Em greve há mais de dois meses, profissionais fizeram ato público no centro de Campinas

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Na noite desta quarta-feira (11), os jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) fizeram um protesto no Largo do Rosário, no centro de Campinas, contra os atrasos de pagamento de salários e benefícios. Os profissionais estão em greve desde 14 de fevereiro e, desde então, a RAC não fez nenhuma proposta concreta para quitação do débito que tem com os trabalhadores e trabalhadoras.

Com faixas e cartazes, os profissionais ocuparam a praça e panfletaram uma Carta Aberta à População para chamar atenção para a greve que, apesar de completar dois meses neste sábado (14), segue ignorada pelas mídias da região.  

A empresa, responsável pelos jornais Correio Popular e Notícia Já, entre outros veículos, está devendo os salários de janeiro, fevereiro e março, o 13º de 2017, mais seis meses de vales refeição e alimentação, além do adicional de um terço aos que saíram de férias nos dois últimos anos. O salário de dezembro só foi quitado neste 6 de abril, mas a rede descontou os dias parados dos grevistas e não pagou os vales alimentação e refeição do período.

Celeridade no julgamento

Os jornalistas também buscam sensibilizar o Tribunal Regional da 15ª Região (TRT15-Campinas) para dar celeridade ao julgamento do dissídio e, nesta quinta (12), receberam moção de apoio da Associação de Advogados Trabalhistas de Campinas (AATC).

Na moção, o advogado José Antonio Cremasco, presidente da AATC, destaca que a situação vivida pelos profissionais é “inaceitável, na medida em que se tem conhecimento que os proprietários do referido grupo residem e desfrutam de mansões, demonstrando total indiferença às necessidades dos trabalhadores”.

Na luta para que o julgamento ocorra o mais breve possível no TRT15-Campinas, os jornalistas também buscaram apoio da Câmara Municipal de Campinas, onde realizaram protesto na sessão do último dia 4. Na ocasião, os trabalhadores visitaram gabinetes, dialogaram com vereadores e vereadoras, entregaram a Carta Aberta ao presidente da Casa, o verador Rafa Zimbaldi (PSB), e conseguiram uma moção de apoio assinada por 22 dos 24 parlamentares presentes.

Desde que a greve começou, a única proposta da RAC foi a de pagar apenas o vale alimentação devido até 9 de março, como propôs a empresa em audiência de conciliação em 28 de fevereiro. A rede ainda queria que os grevistas voltassem ao trabalho para aguardar outros 30 dias por uma nova negociação, e os jornalistas, que classificaram a proposta de “indecente”, não aceitaram o acordo.

Os atrasos de pagamentos na RAC começaram há dois anos e atingem também o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Nesse período, uma greve realizada em junho passado arrancou um acordo no TRT15-Campinas estabelecendo que a empresa fizesse pagamentos semanais de 25% dos salários e benefícios como forma de reduzir a dívida com os jornalistas, mas a RAC vem descumprindo a sentença judicial.

Confira a íntegra da moção de apoio da AACT:

"EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DO TRIBUNAL RESGIONAL DO TRABALHO DA 15ª REGIÃO, DR. FERNANDO DA SILVA BORGES.

Processo 0005276-43.2018.5.15.0000

A ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS TRABALHISTAS DE CAMPINAS, por seu diretor ao fim assinado, vem apresentar manifestação de apoio integral aos jornalistas da REDE ANHANGUERA DE COMUNICAÇÃO, que aguarda julgamento no referido processo de greve, motivada pela falta de pagamento de salários, recolhimento do FGTS e outros encargos trabalhistas.

É certo que os prejuízos causados extrapolam aos direitos dos trabalhadores, atingindo também seus familiares. É público e notório que, em virtude das dificuldades causadas por esse grupo, os jornalistas prejudicados estão sobrevivendo de ajuda da sociedade e realização de bazares para arrecadação de fundos; condição essa inaceitável, na medida em que se tem conhecimento que os proprietários do referido grupo residem e desfrutam de mansões, demonstrando total indiferença às necessidades dos trabalhadores e também ao próprio judiciário, razão pela qual tem a presente a finalidade de deixar consignado o apoio aos jornalistas e repúdio à atitude do empregador, rogando à Vossa Excelência que o processo seja colocado em pauta o mais breve possível.

Termos em que requer a juntada desta manifestação aos autos e pede deferimento.

Campinas, 12 de abril de 2018.

José Antonio Cremasco - OAB/SP 59.298"

Fundo de greve

Para apoiar o pagamento emergencial dos grevistas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) criou um fundo de greve e as doações, essenciais para a continuidade da mobilização, podem ser feitas na Caixa Econômica Federal:

Agência 4070 - conta corrente 1143-3
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
CNPJ 62.584.230.0001-00

Caso o depósito ou transferência seja entre contas da Caixa, o código da operação é 003. Também é possível doar cestas básicas na Regional Campinas do Sindicato, que fica na Rua Dr. Quirino nº 1319, 9° andar, no centro campineiro.

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Fotos: Marcia Quintanilha e Roberto Claro