Interior e Litoral: Sindicato apresenta contraproposta às empresas

Patrões sinalizam recuo sobre retirada de PLR e reajuste zero na Campanha Salarial

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Na 4ª rodada, patronal propôs alternativa em vez da excluir a PLR da nova Convenção. Foto: Flaviana Serafim/SJSPNa 4ª rodada, patronal propôs alternativa em vez da excluir a PLR da nova Convenção. Foto: Flaviana Serafim/SJSPO Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) fez uma contraproposta ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado de São Paulo (Sindjori) na quarta rodada de negociação da Campanha Salarial de Jornais e Revistas do Interior e Litoral, realizada na manhã da última quinta-feira (16). 

A bancada dos trabalhadores apresentou a proposta de reajuste de 2,8% para a pauta econômica, dos quais 1,76% para repor a inflação dos últimos doze meses e mais 1% de aumento real, com a manutenção da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) que, nas rodadas anteriores, os empresários propuseram excluir da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

Os representantes do patronal não apresentaram formalmente nenhum índice nesta rodada, mas afirmaram que as empresas sinalizaram com a possibilidade de reajustar salários e benefícios em vez do reajuste zero proposto até então.

Para a PLR, o Sindjori propôs um meio de sair do impasse, que seria garantir o pagamento no caso das empresas onde o programa está implementado, mas desde que registrada lucratividade. Nas empresas em que o programa não existe, seria definido um valor fixo como indenização aos jornalistas, a exemplo da multa pelo não pagamento de PLR que já existe nas Convenções Coletivas do setor de jornalismo em SP.

Preservar a Convenção Coletiva e ampliar direitos

Quanto às demais cláusulas, o SJSP defendeu a manutenção dos itens que já estão na CCT e insistiu na inclusão de novos pontos, entre os quais a cláusula que trata da liberdade de expressão do jornalista que, no atual cenário de pressão política, tem sido atingida mais fortemente, afirmaram os sindicalistas.

Outro ponto é a nova redação para as cláusulas de assédios moral e sexual, estabelecendo que o primeiro deve ser tratado na esfera trabalhista, com procedimentos para encaminhamento de apuração de denúncias, e que, no segundo caso, se trata de um crime e que, por isso, inclui a necessidade de registro de Boletim de Ocorrência pela vítima.

Para manter condições de trabalho com as alterações trazidas pela “reforma” da CLT, a banca dos jornalistas ainda reivindica a inclusão de uma cláusula definindo regras para o teletrabalho ou home office,  visando garantir o respeito à jornada diferenciada da categoria assim como a responsabilidade da empresa pelo custeio dessa forma de trabalho, tais como os custos de internet e equipamentos. 

Para eventualmente incluir a nova cláusula, o patronal quer que os itens desse custeio sejam definidos para que exista um limite sobre os custos que devem ser arcados pelas empresas.

Por fim, a bancada dos jornalistas apresentou uma contraproposta específica para o banco de horas, com prazo de 60 dias para compensação ou pagamento de horas extras, e vedando acordo individual nestes casos.

Para a compensação, a direção do SJSP reivindica que cada 1h trabalhada a mais dê direito ao jornalista de compensar 1h30. A diferença, alegaram os sindicalistas, é necessária devido ao prejuízo para os trabalhadores, pois, caso a hora extra fosse paga em vez de compensada, o valor ainda incidiria sobre FGTS, férias e 13º salário.

“Permanecemos na firme disposição de dialogar, negociar a fim de manter os direitos da categoria e esperamos que a bancada patronal apresente uma proposta melhor do que foi apresentada até o momento”, afirma o secretário do Interior do SJSP, José Eduardo de Souza.

Na luta por direitos e por reajuste na Campanha Salarial 2018-2019, o sindicalista também convoca a categoria “a se manter unida nas redações, nas regionais em torno de sua entidade de classe a fim de que possamos garantir que nossos direitos sejam respeitados”, completa.

A bancada patronal se comprometeu a avaliar a contraproposta num prazo de 15 dias e a quinta rodada de negociação ocorre no próximo dia 5 de setembro (quarta-feira), às 10h, na sede do Sindjori, no centro da capital paulista.