Interior e Litoral: intransigência patronal impede avanços na Campanha Salarial

Para SJSP, é inaceitável reajuste zero e retirada de direitos da Convenção do Interior e Litoral

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

A compensação de horas e os descontos das contribuições sindicais também foram discutidos na 3ª rodada da Campanha Salarial. Foto: Luigi Bongiovanni/SJSPA compensação de horas e os descontos das contribuições sindicais também foram discutidos na 3ª rodada da Campanha Salarial. Foto: Luigi Bongiovanni/SJSPO Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e o Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no Estado de São Paulo (Sindjori) realizaram a terceira rodada da Campanha Salarial 2018-2019 nesta quarta-feira (25), na sede do patronal, na capital paulista.

A negociação terminou sem avanços porque, após nova consulta às empresas, os patrões seguem insistindo em reajuste zero para salários e benefícios. O Sindjori também se manteve intransigente quanto à retirada de direitos da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), entre os quais o fim da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), hoje de R$ 955,00, e da obrigatoriedade da antecipação de 40% do salário mensal. 

A bancada dos jornalistas persistiu na defesa do reajuste, pois a inflação acumulada dos últimos dozes meses até a data base, em 1º de junho, foi de apenas 1,76%, índice baixo e que permitiria ao patronal reajustar os salários e benefícios em pelos menos 2% sem grande impacto econômico às empresas, afirmaram os sindicalistas. 

Além de defender a manutenção dos direitos na Convenção Coletiva, os dirigentes do SJSP ressaltaram aos representantes do Sindjori que é inaceitável um reajuste zero, sem ao menos a reposição da inflação, e ainda com a retirada da PLR.

Como prometido na rodada anterior, em 11 de julho, o patronal apresentou proposta de cláusula para regulamentação de compensação de horas, e quanto ao desconto de contribuições sindicais com um mecanismo que prevê autorização expressa e individual dos jornalistas. 

Para o banco de horas, a cláusula apresentada pelo Sindjori se alinha à “reforma” da CLT, com até seis meses para compensação, e o pagamento do saldo credor seria obrigatório, no mês subsequente, com adicional de 100%. Os detalhes da proposta serão avaliados pela bancada dos jornalistas. 

Na terceira rodada, a bancada dos trabalhadores e trabalhadoras também manteve a defesa da inclusão de novos itens na CCT tratando dos casos terceirização nas empresas do setor, da regulamentação do teletrabalho ou home office, e da comunicação prévia ao SJSP das demissões por mútuo acordo para que o Sindicato possa prestar as orientações necessárias. Nesta forma de acordo, criado com a "reforma" da CLT, o jornalista demitido recebe apenas 80% do FGTS e perde o direito ao seguro-desemprego.

As negociações prosseguem na quarta rodada, agendada para 10h do dia 16 de agosto (quinta-feira), na sede do Sindjori, no centro paulistano.