Grupo A Tribuna reduz salários e demite em plena pandemia

O Grupo A Tribuna empurrou um acordo individual de redução de salários aos jornalistas tirando o Sindicato da negociação. E agora, justamente no prazo para assinaturas desses acordos, intimida os profissionais a assinarem com demissão. 

O jornalista Régis Querino, que era da editora de Esportes do impresso, já estava para assinar o acordo individual, quando foi demitido na manhã da terça-feira (28), de surpresa e sem justificativa. Ele estava na empresa desde 2014 e sempre cobriu férias de colegas quando solicitado.

Na sexta-feira (24), o Sindicato enviou, à Supervisão de Recursos Humanos do Grupo A Tribuna, ofício no qual reitera que o SJSP não reconhece acordos individuais para redução de salário e propôs alguns procedimentos para abrir negociação com entidade que representa os jornalistas.

O Grupo A Tribuna não só deixou de emitir qualquer comunicado oficial ao Sindicato sobre a aplicação de acordos, como contatou jornalistas para assinarem o termo até terça-feira (28), no mesmo dia da demissão de Régis.

O Sindicato se colocou à disposição do jornalista demitido para qualquer assistência e entrou, novamente, em contrato com a Supervisão de RH questionando sobre a demissão e as reduções de salários. Indagamos se haverá mais alguma demissão de jornalista e quantos profissionais terão seus salários reduzidos.

A empresa já havia tentado tirar os vales alimentação e refeição do pessoal que está em home-office por conta do isolamento social decorrente do Covid-19, mas o Sindicato apresentou denúncia no Ministério Público do Trabalho e foi restabelecido esse direito.

Mantendo a tradição de prática antissindical e sua conduta arcaica, o grupo empresarial alegou que se tratava apenas de atraso no fornecimento dos vales, o que não foi verdade.

Assim como não é verdade que a Medida Provisória 936, na qual a empresa se baseia para aplicar as reduções salariais, foi criada pelo governo Bolsonaro para preservar emprego, renda e redução do impacto social diante da pandemia de Covid-19.

Faz sentido a MP ter entrado em vigor em 1º de abril. O que não faz sentido é que os jornalistas, que são uma categoria essencial no combate à pandemia informando a população sobre formas de prevenção e contágio, sejam alvo quando o assunto é corte de gastos. Ou A Tribuna não promoverá seus eventos este ano?

O SJSP reforça a orientação para que, nas demais empresas, os jornalistas não assinem qualquer proposta de acordo individual e entrem imediatamente em contato para que se possa lutar por negociação por meio do sindicato.