Greve na RAC: jornalistas cobram celeridade no julgamento

Vereadores de Campinas aprovam moção de apoio aos grevistas do Correio Popular. Greve por falta de pagamento completa 50 dias, ainda sem julgamento do dissídio pelo TRT15.

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Em sessão na Câmara Municipal de Campinas, jornalistas da RAC alertam para os atrasos de pagamentos na empresa. Foto: Marcia Quintanilha/SJSPEm sessão na Câmara Municipal de Campinas, jornalistas da RAC alertam para os atrasos de pagamentos na empresa. Foto: Marcia Quintanilha/SJSPVereadores e vereadoras de Campinas aprovaram nesta quarta-feira (4) uma moção de apoio aos jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), com o intuito de sensibilizar o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT15-Campinas) para que dê celeridade ao julgamento do dissídio de greve dos profissionais da empresa.

Com os salários em aberto desde dezembro passado, os trabalhadores e trabalhadores cruzaram os braços no último 14 de fevereiro e a paralisação, que completa 50 dias neste 5 de abril, ainda não foi julgada.

A moção, solicitada pelo vereador Pedro Tourinho (PT), é resultado da pressão dos jornalistas, que visitaram os gabinetes na tarde desta quarta-feira  e, com faixas e cartazes, também participaram da abertura da sessão da Câmara e entregaram uma Carta Aberta ao presidente da Casa, Rafa Zimbaldi (PSB). Dos 24 vereadores presentes na sessão deste dia 4 de abril, 22 assinaram o documento.

“Nossa preocupação é que a empresa até agora não se colocou para discutir a questão com os jornalistas e nem propôs nada até agora. O que queremos é agilidade da Justiça do Trabalho, é sensibilizar o TRT para que julgue a greve o mais rápido possível”, relatou um grevista ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP)

Na avaliação do vereador Tourinho, “é inadmissível uma instituição com a tradição da RAC não honrar os seus compromissos trabalhistas com tantos profissionais e por tanto tempo”, afirmou.

Diante da grave situação enfrentada, além da busca pelo apoio dos parlamentares de Campinas, os jornalistas também têm organizado diversas ações para dar visibilidade à paralisação e, nesta terça-feira (3), distribuíram Carta Aberta à População com panfletagem no centro campineiro.

Entenda do caso

Os jornalistas da RAC decidiram entrar em greve em 14 de fevereiro, pois a paralisação das atividades foi o único caminho para pressionar a empresa depois de dois anos em que os trabalhadores têm enfrentado constantes atrasos nos pagamentos de salários, benefícios e férias.

Além de metade do salário de dezembro, os salários de janeiro, fevereiro e março ainda não foram pagos, assim como o 13º de 2017. A empresa deve, ainda, seis meses de vales refeição e alimentação, bem como o adicional de um terço aos profissionais que saíram de férias nos últimos dois anos.

Os jornalistas já havia cruzados os braços em junho de 2017 e a greve garantiu a conquista de um acordo com a empresa, firmado junto ao TRT15-Campinas, estabelecendo o pagamento semanal de 25% do salário mensal para redução da dívida, mas a rede vem descumprindo a sentença.

Os atrasos se estendem, ainda, ao recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Imposto de Renda que, apesar de descontado diretamente em folha, não é repassado à Receita Federal, o que levou jornalistas a cair na malha fina.

Apesar do volume da dívida, em audiência no dia 28 de fevereiro, a única proposta da rede, prontamente recusada pelos profissionais, foi de quitar somente o vale alimentação devido até 9 de março. Na ocasião, a RAC ainda queria que os jornalistas voltassem ao trabalho e que aguardassem mais 30 dias para uma nova negociação.

Solidariedade na luta

Para colaborar com o pagamento emergencial dos profissionais da RAC, o SJSP abriu um fundo de greve e também está arrecadando cestas básicas na Regional Campinas, que fica na Rua Dr. Quirino nº 1319, 9° andar, no centro campineiro. Quem quiser colaborar, também pode depositar qualquer quantia na seguinte conta:

Caixa Econômica Federal
Agência 4070
Conta corrente 1143-3
(caso o depósito ou transferência seja entre contas da Caixa, o código da operação é 003)
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
CNPJ 62.584.230.0001-00

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