Eleita a nova direção do Sindicato dos Jornalistas de SP

Com os desafios de enfrentar a “reforma” trabalhista e intensificar a luta para garantir direitos, dirigentes assumem mandato pelos próximos três anos

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Jornalistas da capital, interior e litoral paulistas elegeram a nova direção que estará à frente da eA cartunista Laerte Coutinho votou na sede do Sindicato,  no centro da capital paulista. A cartunista Laerte Coutinho votou na sede do Sindicato, no centro da capital paulista. ntidade pelos próximos três anos, de 2018 a 2021, com um total de 592 votantes, dos quais 537 (91%) votaram na única chapa inscrita, a “Chapa 1 Audálio Dantas – Por Direitos e Democracia”. O pleito ocorreu entre 7 a 9 de agosto, e a puração dos votos foi encerrada por volta das 5h desta sexta-feira (10). A data da posse ainda será marcada. 

A nova direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) vai tomar posse num cenário desafiador, de enfrentamento à “reforma” trabalhista que aprofunda a precarização nas empresas de comunicação, assumindo a luta coletiva para garantir direitos e empregos, intensificar a organização nos locais de trabalho e ampliar a sindicalização para fortalecer a entidade, além de defender o exercício do bom jornalismo e das garantias democráticas. 

Liderada por Paulo Zocchi, jornalista da Editora Abril e atual presidente do SJSP, a chapa única é da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Segundo o sindicalista, a  direção eleita expressa uma renovação do Sindicato e uma aproximação com os locais de trabalho.

“A nova direção mantém e reforça a disposição da diretoria que encerra o mandato de sustentar uma luta incansável em defesa dos direitos, pela revogação da reforma trabalhista e pela preservação de cada um dos direitos dos jornalistas. Isso exige a defesa da democracia no Brasil, contra o atual estado de arbítrio e de violência institucional”, diz o sindicalista.

De acordo com Zocchi, os principais desafios do próximo período “são construir o Sindicato como instrumento de defesa dos direitos dos jornalistas, mantido pela categoria - o que exige a sindicalização maciça nas empresas jornalísticas. Ao mesmo tempo, o Sindicato tem de se afirmar como palco central do debate sobre o presente e o futuro da profissão, as mudanças nas relações de trabalho e a defesa dos direitos e do jornalismo de qualidade”, completa o dirigente.

Jornalistas ressaltam importância do voto e da sindicalização

Nos três dias de votação, a categoria expressou a relevância do voto, da participação na entidade e da sindicalização para os que ainda não são filiados ao SJSP.

Para a cartunista Laerte Coutinho, que votou na sede do Sindicato, no centro da capital paulista, “a importância de votar é óbvia porque o Sindicato depende de participação ativa de seus associados que não se limita a votar. O que se espera dos associados, em nome de uma consciência sindical, de um Sindicato mais atuante, é uma participação em todos os momentos ou sempre que possível”, afirma.

Laerte pontua ainda que os sindicatos são instituições importantes para qualquer categoria, “e é bom que os jornalistas se vejam também como categoria de trabalhadores, especialmente nesse momento que está chegando uma crise monumental que conjuga relações trabalhistas deterioradas com uma crise também tecnológica que vai afetar todas as publicações, sejam jornais ou revistas. É uma hora importantíssima para nos unirmos no Sindicato e fazermos dele uma ferramenta de defesa”.

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Na mesma linha, a jornalista freelancer Maria Inês Nassif afirma que “muitos de nós achávamos que éramos uma categoria diferente. O que importava era a relação com os colegas de redação e a função social de registrar a história. Nos últimos anos perdemos empregos, salários, carteira assinada, férias, 13º, e o direito de relatar a história. Perdemos tempo de apuração e espaço para descrever um fato por inteiro. Ganhamos um jornalismo compartimentado, lateral, superficial”, avalia.

Segundo Maria Inês, os jornalistas não são uma categoria diferente. “Hoje apertamos parafusos e engolimos terceirização, salários baixos e passaralhos sem nenhum tipo de defesa. Está longe de ser a hora de virar as costas ao nosso Sindicato. Voltemos a ele e, juntos, vamos discutir salários, desemprego, ética, informação e monopólio da mídia”.

Presidente da CUT São Paulo, o professor e sociólogo Douglas Izzo afirma que a nova direção conta com total apoio da Central. “Sabemos que a nova direção do SJSP é de lutadores e lutadoras aguerridos e comprometidos com a defesa não apenas dos direitos da categoria, mas dos direitos de todos os trabalhadores brasileiros. É desta coragem que precisamos para enfrentar este momento de golpe tão duro e perverso à classe trabalhadora", afirma o sindicalista.

Mais mulheres na direção do Sindicato

A jornalista Maria Cristina Angelini votando na urna da Rede Globo. Foto: Flaviana Serafim/SJSPA jornalista Maria Cristina Angelini votando na urna da Rede Globo. Foto: Flaviana Serafim/SJSPA partir de agora, as mulheres vão ocupar um mínimo de 50% da Direção Executiva, da Direção Plena e das direções de ação sindical no Sindicato dos Jornalistas.

A mudança é resultado de uma reforma do Estatuto da entidade, construída coletivamente e aprovada pela categoria em agosto de 2017, durante o 15º Congresso Estadual dos Jornalistas.

A atual Direção Executiva já é composta por mais de 50% de mulheres jornalistas e, com o novo Estatuto, a participação feminina se amplia na entidade, refletindo o que já ocorre no mercado de trabalho, principalmente nas assessorias de imprensa, como aponta pesquisa da Federação Nacional dos Jornalistas.

Leia mais em Mulheres ampliam participação no Sindicato dos Jornalistas

Eleição da Comissão de Ética

No mesmo pleito para a direção do SJSP, também foram eleitos os representantes da Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas.

Foram cinco candidaturas avulsas para cinco vagas com a eleição de Rose Nogueira (434 votos); Fábio Venturini (337 votos), Franklin Valverde (333 votos), Rodrigo Ratier (331 votos) e Joel Scala (309 votos). Saiba mais sobre os candidatos eleitos clicando aqui.

“A nova Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas reafirma o seu compromisso com o cumprimento do Código de Ética da categoria, como já acontecia com a antiga comissão. Nós, que fomos eleitos para o próximo mandato, também temos o compromisso de levar para a sociedade qual é o verdadeiro papel dos jornalistas, principalmente em uma época como a atual que é dominada pelos fake news”, destaca o jornalista Franklin Valverde, recém eleito para o próximo mandato. Também escritor e professor universitário, ele preside a comissão na gestão que agora se encerra.

Instância independente do SJSP, a Comissão de Ética tem como papel principal trabalhar pelo cumprimento do Código de Ética dos Jornalistas, tendo como pressuposto fundamental o acesso à informação por todos os cidadãos e cidadãs.

É a Comissão que fiscaliza a conduta profissional da imprensa, recebendo denúncias relativas ao desrespeito do Código de Ética para fazer a apuração, apreciação e julgamento das transgressões.

Confira a nova direção do Sindicato dos Jornalistas para a gestão 2018-2021

Presidente: Paulo Zocchi (Editora Abril)
Secretária-geral: Cândida Vieira (Câmara Municipal SP)
Secretário de Finanças e Administração: Cláudio Soares (Imprensa Oficial)
Secretário do Interior:  José Eduardo de Souza (Rádio Cantareira)
Secretária de Comunicação e Cultura: Priscilla Chandretti (TV Câmara Guarulhos)
Secretário de Relações Sindicais e Sociais: André Freire (repórter fotográfico)
Secretária de Sindicalização: Lílian Parise (Sinergia CUT)
Secretária Jurídica e de Assistência: Evany Sessa (TV Cultura)
Secretária de Formação Sindical e Profissional: Ana Flávia Marx (Barão de Itararé)

Diretores de Ação Sindical:
Ricardo Vital (TV Globo), Alan Rodrigues (IstoÉ), Cláudia Tavares (TV Cultura), Marlene Bergamo (Folha de S.Paulo), Sérgio Kalili (Rede TV), Thiago Tanji (revista Galileu/editora Globo), Telé Cardim (TV Record), Guto Camargo (Diário do Comércio), Raphael Salomão (revista Globo Rural/Editora Globo), Érica Aragão (assessoria da CUT), Solange Melendez (Oficina de Mídia), Michele Barros (Correios), Ana Minadeo (Imprensa Oficial).

Comissão de Registro e Fiscalização
Eduardo Viné (EBC),  Jorge Araújo (Agência Photo&Grafia), Flávio Carrança (Flama Jornalismo).

ABC
Diretor regional: Cadu Bazilevski (assessoria do Dep. Vicentinho)
Diretores de base: Roberto Parizotti, Jô Miyagui, Peter Suzano, Vilma Amaro.

Bauru
Diretor regional: Sérgio Paes (TVTem)
Diretores de base: Ricardo Santana, Sérgio Borges, Tânia Brandão, Antônio Ramos, José Reis.

Campinas
Diretor regional: Marcos Rodrigues (assessoria do Sindae)
Diretores de base: Leila de Oliveira, Ricardo Andrade, Agildo Nogueira Júnior.

Piracicaba
Diretora regional: Patrícia Sant’Ana (Câmara de Piracicaba)
Diretores de base: Paulo Roberto Botão, Adriana Ferezim, Gustavo Franco Annunciato, Martim Vieira Ferreira.

Ribeirão Preto
Diretora regional: Aureni Menezes (freelancer)
Diretores de base: David Radessca, Fabiano Gonçalo da Silva, José Luiz Lançoni, Nilton Pinati Júnior, Sérgio Sampaio.

Santos
Diretora regional: Solange Santana (programa Panela de Pressão)
Diretores de base: Carlos Alberto Ratton, Carlos Norberto Souza, Diogo Caixote, Matheus Rolan Serafim, Reynaldo Salgado.

Sorocaba
Diretora regional: Fabiana Caramez (assessoria do Sindicato dos Rodoviários)
Diretores de base: Abner Laurindo, Pedro Jorge Courbassier.

Vale do Paraíba
Diretora regional: Fernanda Soares (assessoria do SindCT)
Diretores de base: Rita de Cássia Dell Aquila, Edvaldo Antonio de Almeida, Victor Martin da Cruz.

Conselho Fiscal
João Marques (Sintaxe Comunicação), Norian Segatto (assessoria do Sindicato dos Petroleiros), Vladimir Miranda (Diário do Comércio), Amadeu Mêmolo (aposentado), Luigi Bongiovanni (jornal “A Tribuna”, de Santos).