Divulgação da lista de credores da Abril é adiada

Adiamento vai impactar todo a programação de prazos para a recuperação judicial da editora; demitidos seguem lutando contra calote dado pela empresa

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

A Deloitte, consultoria que administra a recuperação judicial da editora Abril, adiou a divulgação da lista de credores que estava prevista para o último dia 12 de novembro. A consultoria alegou à Justiça que não teve condições de apresentar os dados.

Com o adiamento, a previsão é de que a divulgação da lista ocorra somente em meados de janeiro de 2019, depois do recesso do judiciário. A medida impacta a programação inicialmente prevista para a recuperação judicial, pois só depois que a lista é divulgada é que os credores podem contestar as informações na Justiça.

A mudança também altera o prazo para realização da assembleia de credores que pode ou não aprovar o plano, e que a própria Deloitte havia proposto realizar, segundo os prazos legais, com primeira convocação no próximo 31 de janeiro e, em segunda convocação, para 7 de fevereiro de 2019.

> Demitidos protestam em frente à gráfica da Abril

Na prática, caso o plano seja aprovado, a alteração muda todos os prazos da recuperação judicial, protelando, entre outros, o início dos pagamentos da dívida da empresa.

O plano de recuperação, divulgado pela Abril em 22 de outubro, gerou revolta nas centenas de demitidos e dispensados que tomaram calote da editora. Com o pedido de recuperação, a empresa demitiu em massa sem pagar verbas rescisórias nem multa do Fundo de Garantia aos celetistas nem pagou os serviços prestados aos freelancers.

Além do enfrentamento na Justiça, os trabalhadores e trabalhadoras demitidos lutam para que a Abril pague o que deve integralmente e o mais rápido possível, e que os acionistas da editora subrroguem a dívida, ou seja, que quitem o débito e tomem o lugar dos credores trabalhistas na recuperação judicial.

Entre outras ações, os profissionais demitidos em massa têm realizado protestos e mobilização nas redes sociais para denunciar o calote e cobrar o pagamento da dívida.

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