Demitidos decidem aumentar pressão pública sobre Abril

Vítimas de calote numa empresa cujos donos são bilionários, os desempregados enfrentam uma situação financeira crítica e seguem na luta para que a editora pague o que deve

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Nas duas assembleias realizadas na sede do Sindicato, os profissionais falaram da revolta com o plano de recuperação e das dificuldades financeiras que têm enfrentado. Foto: Flaviana Serafim/SJSPNas duas assembleias realizadas na sede do Sindicato, os profissionais falaram da revolta com o plano de recuperação e das dificuldades financeiras que têm enfrentado. Foto: Flaviana Serafim/SJSPEm assembleias realizadas nesta quinta-feira (8), dezenas de jornalistas, administrativos, gráficos e distribuidores demitidos e freelancers dispensados em massa pela Abril decidiram que vão aumentar a pressão pública sobre a empresa para exigir o pagamento imediato e integral da dívida da empresa com os trabalhadores e trabalhadoras. Após a demissão coletiva, a Abril deu calote e não pagou as verbas rescisórias dos celetistas nem os serviços prestados por freelancers.

Reunidas na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), no centro paulistano, as categorias deliberaram pela realização de novas mobilizações, com protestos e ações nas redes sociais, para pressionar a empresa a pagar o que deve, pois o plano de recuperação judicial proposto pela editora revoltou os profissionais.

De acordo com o plano, que ainda depende de aprovação dos credores, pode levar até 18 anos para quitação do débito, dependendo do valor que o trabalhador tiver para receber, e ainda há um enorme deságio sobre a dívida total em algumas situações (leia mais sobre o plano de recuperação).

Situação dos desempregados é crítica

Além da revolta com o plano de recuperação judicial, na assembleia os profissionais demitidos e dispensados expressaram as inúmeras dificuldades financeiras que têm vivido desde a dispensa coletiva seguida do calote da Abril.

Vários estão com aluguel em atraso, outros têm familiares doentes e perderam o plano de saúde, e há dificuldades, inclusive, para mobilidade porque muitos estão sem dinheiro até para pagar a tarifa do transporte. Desolados, os trabalhadores e trabalhadoras estão inconformados por estarem vivenciando uma situação provocada por uma empresa cujos proprietários são bilionários e donos de uma fortuna acumulada à custa dos empregados que se dedicaram ao longo de anos à Abril.

Por isso, os sindicatos seguem unidos e defendendo que a editora sub rogue a dívida, ou seja, que pague os cerca de R$ 90 milhões dos débitos trabalhistas e que tome o lugar dos trabalhadores como credora do plano de recuperação judicial. Em reunião na quarta-feira (7) com advogados da Abril e com representantes da editora, os sindicatos reforçaram esse posicionamento e cobraram da empresa o pagamento de mais uma parcela da rescisão devida aos demitidos.

A nova lista dos credores do plano de recuperação judicial tem divulgação prevista para a segunda-feira (12). 

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