Correio Popular: RAC paga parte dos salários atrasados

Rede de Campinas quitou os salários de maio e outubro, mas deve valores de novembro e dezembro, o 13º, além de seis meses sem pagar vales refeição e alimentação

A Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), responsável pela publicação do Correio Popular, de Campinas, pagou nesta quinta-feira (21) aos jornalistas os salários devidos de maio, de outubro e mais um oitavo do salário deste mês de dezembro.

A quitação de parte dos débitos é resultado da pressão dos profissionais, que há dois anos enfrentam constantes atrasos de pagamentos e fariam assembleia nesta semana com indicativo de greve caso a rede não tomasse nenhuma providência.

Os trabalhadores já haviam cruzado os braços em protesto no começo de dezembro, pois a rede está descumprindo o acordo judicial firmado em junho, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, para quitar os valores atrasados. 

Os depósitos foram feitos depois que a empresa conseguiu a liberação da segunda parcela de um empréstimo. Além dos débitos pendentes de novembro e dezembro, a RAC não pagou nada do 13º salário deste ano e está devendo seis meses de vales refeição e alimentação.

Numa reunião em 8 de dezembro, a direção do jornal prometeu entregar ao Sindicato dos Jornalistas uma planilha para “repactuar” o cronograma de pagamentos, mas no último dia 14 enviou um documento genérico sem qualquer proposta concreta.

Os sindicalistas denunciam que os trabalhadores têm sido pressionados cotidianamente na redação, pois a direção da RAC tenta culpabilizar os profissionais que protestam afirmando que, se os jornalistas não trabalharem, a rede não tem como se recuperar financeiramente.

Além de dois anos enfrentando atrasos de pagamentos e as promessas não cumpridas pela empresa, os jornalistas também foram prejudicados de outras formas pela RAC. A empresa não paga férias e ocorreram irregularidades nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e no recolhimento do Imposto de Renda, o que fez com que vários profissionais caíssem na malha fina da Receita Federal.

Escrito por: Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo