Correio Popular: pela segunda semana, RAC não paga trabalhadores

“Pedimos desculpas pelo imprevisto” diz a empresa em comunicado. Salários continuam em aberto desde dezembro e greve dos jornalistas completou 43 dias nesta quinta (29).

Por Flaviana Serafim - Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Pela segunda semana consecutiva, a Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) não pagou os 25% do salário mensal aos seus trabalhadores e trabalhadoras, novamente descumprindo o acordo judicial firmado em junho de 2017 junto ao Tribunal Regional da 15ª Região, de Campinas, por meio do qual a empresa deveria reduzir os débitos com seus empregados.

Não é a primeira vez que o acordo é descumprido pela rede, pois em várias ocasiões o pagamento acordado não foi feito, como ocorreu no último dia 23 de março, quando nenhum depósito foi feito, apesar de prometido pela rede. Como estabelecido na sentença judicial, a RAC, responsável pelo Correio Popular, entre outras mídias, deveria pagar semanalmente o equivalente a 25% do salário mensal.

Como os depósitos novamente não foram feitos, piora o quadro para os jornalistas que nesta quinta-feira (29) completaram 43 dias em greve devido aos salários que estão em aberto desde dezembro passado.

Conforme apurou o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), em um comunicado enviado neste 29 de março aos trabalhadores, a direção da empresa explica que “embora a semana tenha se mostrado positiva, com a publicação de anúncios importantes e do balanço da CPFL (com data de pagamento para o dia 30/04/18), não conseguimos, infelizmente, antecipar para hoje os títulos junto aos bancos, que não viabilizaram a operação em tempo.”

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No mesmo comunicado, a RAC também informa que os recursos faltaram para o pagamento semanal dos 25% dos salários e também para a fatura da Unimed, “que poderá sofrer bloqueio de atendimento até seu efetivo pagamento”. Na prática, além de ficar sem salários, todos os jornalistas agora sofrem mais uma perda com o não pagamento do plano de saúde e, no final do comunicado, o posicionamento da rede é “Pedimos desculpas pelo imprevisto”.

Além dos salários que estão em aberto desde dezembro, o grupo de comunicação está devendo o 13º de 2017, seis meses de vales refeição e alimentação, e a RAC também não pagou o adicional de um terço de férias aos que saíram de férias nos últimos dois anos.

De braços cruzados desde 14 de fevereiro, os jornalistas continuam em greve enquanto aguardam o julgamento do dissídio pelo TRT15-Campinas.

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