Centrais sindicais unidas por avanços na agenda da classe trabalhadora

 
Mobilização reuniu dois mil trabalhadores/as em campanha salarial na Avenida Paulista
 

 
Cerca de dois mil trabalhadores e trabalhadoras participaram da...

 

Mobilização reuniu dois mil trabalhadores/as em campanha salarial na Avenida Paulista

 

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Cerca de dois mil trabalhadores e trabalhadoras participaram da mobilização unificada das centrais sindicais, realizada na manhã desta quinta (20) na Avenida Paulista com o objetivo de avançar na campanha salarial das categorias com data base no segundo semestre, entre as quais os jornalistas, aeroviários, bancários, metalúrgicos, petroleiros, químicos, vidreiros e correios, entre outras.

Outro objetivo importante do ato público foi chamar atenção para a agenda nacional da classe trabalhadora que está parada no Congresso Nacional e no poder executivo federal, numa pauta de reivindicações que inclui a luta por: redução da jornada de trabalho sem redução de salário; fim das terceirizações; isenção de imposto de renda no pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR); ratificação da Convenção 151, que dá direito à negociação coletiva no serviço público, e da Convenção 158, para combater a dispensa imotivada.

Na avaliação de Vagner Freitas, presidente nacional da CUT, o Congresso Nacional é “altamente conservador” e costuma acolher melhor as reivindicações do setor empresarial do que as dos trabalhadores/as. Ele afirmou que os incentivos fiscais concedidos pelo governo aos setores em crise são medidas importantes, mas ressaltou a necessidade de implementar também as medidas de interesse da classe trabalhadora, principalmente o aumento real de salário. “É preciso que o mesmo tratamento dado à pauta dos empresários seja dado com respeito à pauta dos trabalhadores”, disse Freitas.

Na mesma linha, Douglas Izzo, vice-presidente da CUT São Paulo, deixou claro que “os trabalhadores não podem pagar pela crise internacional do capitalismo”, e criticou o crescente aumento das terceirizações, principalmente no setor público, quem tem trazido prejuízos no atendimento à população.

Categorias em luta 

Bancários: Juvandia Moreira Leite, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, reclamou da repetida intransigência dos banqueiros nas campanhas salariais que, neste ano, acabou empurrando os bancários para a greve depois de 45 dias de negociação sem avanços. A proposta foi apenas 0,5% de aumento real num dos setores mais rentáveis do país. “A desigualdade é muito grande dentro da categoria. Temos executivo de banco que está ganhando mais de R$ 8 milhões de remuneração anual, como acontece no Itaú, enquanto o bancário tem piso salarial de R$ 1.400,00”, denunciou a dirigente.

Metalúrgicos: Valmir Marques, o Biro Biro, presidente da Federação dos Metalúrgicos da CUT/SP (FEM-CUT/SP), disse que só o setor de fundição já terminou a campanha salarial. Os outros cinco grupos que compõem a categoria já tiveram greve decretada porque a proposta dos patrões tem sido de 6,5% a 7% de aumento. “Para fecharmos acordo, precisamos de pelo menos 8% de aumento, que contempla 5,39% de reposição da inflação e 2,5% de aumento real. Ou os patrões sentam, negociam e constroem um acordo, ou teremos cada vez mais paralisações”, alertou.


Petroleiros: Os trabalhadores/as do Sindipetro-SP estiveram desde as 6h em mobilização no prédio da Petrobras na Avenida Paulista. Segundo João Antonio de Moraes, coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), a categoria conquistou apenas a reposição da inflação nos salários e não vai aceitar os 6,5% de aumento proposto pela petrolífera, índice equivalente a aumento real de 0,9% a 1,2%. “Entendemos que é um índice de reajuste muito pequeno, aquém das possibilidades da empresa e aquém das necessidades da categoria”. Sem avanços nas negociações, os petroleiros farão paralisação de advertência por 24 horas no próximo dia 26.


Químicos: Nesta categoria, a campanha começa com a entrega da pauta no próximo dia 24. “A redução da jornada de trabalha é o eixo central da campanha, além da licença-maternidade de 180 dias e aumento salarial, principalmente do piso da categoria”, explicou José Freire da Silva, secretário de Saúde, Trabalho e Meio Ambiente do Sindicato dos Químicos do ABC.

Jornalistas: Apesar de a data-base da Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital, Interior e Litoral ser em 1º de junho, o Sindicato continua em negociação com o patronal. Além disso, a entidade começa em breve a Campanha de Rádio e TV com data-base em 1º de dezembro. 

Unificação resulta em conquistas para toda a sociedade brasileiraEntre as mais recentes estão a correção da tabela do IR e o aumento no salário mínimoA unificação de categorias e centrais sindicais que as representam tem resultado em conquistas para todos os trabalhadores brasileiros nos últimos anos. Entre elas é possível destacar a correção da tabela do Imposto de Renda (IR) e o aumento no salário mínimo de forma contínua, com planejamento para os anos seguintes. O governo federal também se comprometeu com a retomada de mesa permanente de negociações para discutir a plataforma dos trabalhadores.

As centrais sindicais ainda se fizeram presentes em manifestações como a que reivindicou menos imposto e mais emprego e a queda na taxa da Selic, indicador que acaba por influenciar toda a economia do País. E na defesa do emprego, no combate à desindustrialização. “Podemos ter divergências (entre as centrais), mas nossos inimigos são os patrões. Hoje estamos transformando a luta das categorias em luta de classe”, destacou Vagner Freitas durante a mobilização.

Foto: Dino Santos